Antônio Brasileiro


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Passados 13 anos de sua morte, Tom Jobim continua atual e onipresente
Passados 13 anos de sua morte, Tom Jobim continua atual e onipresente
Em uma época em que o mercado fonográfico ainda exigia um mínimo de talento de compositores e cantores, Tom Jobim tinha o máximo de perfeição enquanto músico e letrista. Se foi genial na composição, não era nenhuma excelência como intéprete, como ele mesmo admitia, mas isso nunca fez nenhuma diferença. Os maiores nomes da música brasileira e mundial queriam emprestar suas vozes para as belas canções criadas pelo maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Elis Regina, João Gilberto, quase toda a família Caymmi, Gal Costa, Ney Matogrosso, Edu Lobo, Fernanda Porto, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra são alguns dos intérpretes que gravaram músicas como Águas de março, Só tinha que ser com você, Corcovado, Chega de saudade, Retrato em branco e preto, Chovendo na Roseira. Na verdade qualquer brasileiro sabe cantarolar pelo menos um trecho de uma canção de Tom Jobim, que faria 80 anos hoje, nem que seja a clássica Garota de Ipanema ou aclamada Wave, que voltou às paradas em 2006 na abertura da novela Páginas da Vida. Popular erudito, ou erudito popular, o maestro nasceu no Rio de Janeiro em 25 de janeiro de 1927, morreu há 13 anos, mas nem parece que faz tanto tempo, uma vez que sua obra parece nunca envelhecer. Não envelhece porque sua sonoridade era avançada demais e não envelhece pois as letras embaladas por melodias exatas eram a perfeita tradução de sentimentos muitas vezes sem nome, sentimentos universai e supratemporais. Ainda hoje, em qualquer canto dessa tribulada mo-dernidade, do lixeiro ao empresário, do banqueiro ao office-boy, eles entendem como o tempo pára e a gente se desliga de tudo por alguns segundos, e tudo fica maravilhoso por um instante, quando uma garota linda, cheia de graça, vem e passa, cessando discussões e anulando a concentração do homem que vê seu mundo mais bonito, ainda que por tão pouco tempo, de passagem. Desse tipo de emoção simples ao mais complexo conflito existencial, Jobim faz samba, jazz, choro, valsa, mo-dinha, bolero, arrisca-se ainda no baião e no frevo, e, numa mistura de muita coisa boa, cria algo que chamaram de Bossa Nova, ao lado de Vinícius de Morais, de quem foi parceiro desde 1956. Aliás, parceiros foi algo que Jobim sempre soube escolher. Compôs músicas em parceria com gênios do nipe de Chico Buarque e gravou duetos com Francis Albert Sinatra, “pimentinha” Elis e tantos outros. Na semana em que completaria 80 anos se estivesse vivo, Jobim é onipresente nas programações de rádio, TV e dos palcos, como se, de fato, ainda estivesse por aqui. Isso só é possível pela supratemporalidade e vastidão de sua obra (mais de 50 discos “assinados”, além de canções inéditas durante sua vida e de seus trabalhos como maestro e arranjador) que permitem a intérpretes revisitarem suas peças menos conhecidas, facetas menos populares como as composições apenas instrumentais, de modo a redescobrir a cada dia um pouco do maestro soberano. Mas é claro os clássicos de Antônio Brasileiro, como o Samba do avião, Se todos fossem iguais a você e Águas de março serão sempre clássicos, jamais se reduzirão a clichés, e ecoarão unânimes por muitas décadas no assobio dos transeuntes, nas remixagens do DJ Patife (que mescla MPB com drum & bass) ou em aberturas de novela.

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