Caso de cadeia


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Após o resgate das vítimas da cratera do Metrô, em Pinheiros, vem a preocupação com os danos e prejuízos de terceiros. Mas, para a população, o pior é a incerteza quanto à segurança do chão onde pisa. Passada a semana de agonia, onde o Corpo de Bombeiros permaneceu no local das operações de busca, o paulistano não tem mais certeza se pode ou não passar à pé ou mesmo dentro de um veículo em determinados pontos da cidade. "Será que não existe um novo buracão na iminência de engolir veículos, pessoas e até prédios?” indaga-se. Pagar pelos danos e reparar da melhor forma possível o sofrimento dos envolvidos é o trivial. Governo, empresas e seguradoras fazem o pagamento, muitas vezes até com o dinheiro arrecadado do próprio contribuinte. Mas ninguém consegue com isso tirar da cabeça do povo a preocupação com a própria segurança e compensar o sofrimento daqueles que perderam seus parentes e amigos. Isso sem falar da incerteza e do desconforto que tomam conta dos moradores da redondeza, muitos deles idosos que jamais imaginavam um dia terem de sair do imóvel onde viveram por décadas e têm suas raízes físicas e emocionais plantadas. Além da reparação cível, a sociedade exige a apuração criminal do acontecido. O povo clama que a polícia e o Ministério Público identifiquem as responsabilidades daqueles que agiram com imperícia, imprudência ou negligência e, com essa ação, produziram o catastrófico resultado. Não podemos continuar à mercê de profissionais relapsos ou incompetentes, que devem pagar integralmente os erros cometidos, através da perda de seus registros profissionais e da própria liberdade. Se o profissional, independente de sua posição, agiu de maneira desconforme, tem de assumir todas as responsabilidades e conseqüências de seus atos. As vidas das vítimas jamais se conseguirá recuperar nem seus sonhos e as expectativas de seus familiares e amigos. Também não há dinheiro que pague a tranqüilidade perdida pelos moradores diretamente atingidos e por centenas, talvez milhares de outros que, residindo nas proximidades de obras de grande porte, também passam a vislumbrar a possibilidade de novas ocorrências do gênero. Isso não pode ser colocado na pauta do esquecimento e nem do abrandamento de castigos previstos nas normas técnicas e nos códigos civil e penal. É uma questão de responsabilidade e cidadania. Só com o rigor nas apurações e no apenamento dos responsáveis poderá se devolver à população a sensação de segurança perdida em função do ocorrido em Pinheiros e em outros acidentes que a bem da verdade não foram apurados com o rigor aconselhado. O Sindicato dos Metroviários tem denunciado freqüentemente o apressamento de obras e a falta de segurança no trabalho. Se os alertas da entidade tivessem sido ouvidos e levados em consideração pelas autoridades, muito provavelmente hoje não estaríamos lamentando mais esse acidente, vítimas e prejuízos. Chega de impunidade! TTE. DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (APOMI)

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