Um alívio. Após três dias sem água, Franca voltará a ter hoje 50% do abastecimento restabelecido. A boa notícia foi confirmada ontem à tarde pelo superintendente regional da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), João Baptista Comparini. Ele revelou que o primeiro conjunto de motor e bomba para puxar a água do Rio Canoas já estava em teste e entraria em operação ainda na noite de ontem. A previsão é que todo o abastecimento esteja normalizado no domingo. Apesar de ter metade da cidade atendida, o fornecimento de água pelos caminhões-pipa continua normalmente.
Na noite de sábado, um forte temporal causou inundações e alagou instalações da Sabesp, o que interrompeu o abastecimento de água no município. Quatro motores, inclusive o reserva, foram danificados pela água.
Com o funcionamento de mais um motor, de 170 litros por segundo captados ontem, o sistema do Rio Canoas passará a produzir hoje mais 400 litros por segundo. Totalizando 570 litros. A captação normal é de 970 litros por segundo.
Até o início da noite de ontem, a Sabesp ainda não sabia quais bairros poderão ser atendidos com a ampliação da captação. “Não temos essa planilha ainda. Vamos testar a máquina e, só então, definir o que faremos”, explicou Engracia.
A idéia inicial é fazer um rodízio e ir estabelecendo o fornecimento aos poucos. “Vamos instalar uma máquina por dia, mas da captação até a distribuição da água é um processo demorado. A água demora até 12 horas para chegar até as regiões mais altas da cidade”. Ainda ontem, graças a água bombeada do Córrego Pouso Alegre foi permitido estabelecer o fornecimento para a área central, destinado a atender principalmente os hospitais, como a Santa Casa, e em outros oito bairros (Jardim do Éden, Jardim Paineiras, Parque do Horto, Jardim Cambuí, parte baixa do Jardim Santa Cruz, São José, Vila Industrial e Santa Terezinha). “Esses bairros têm água pois foram pontos possíveis de atender tecnicamente. Sobrou água no reservatório que abastece os caminhões-pipas e nós abrimos de forma aleatória para os outros reservatórios”.
Ontem as regiões mais críticas eram as partes altas da cidade.
Bairros como a Vila Aparecida, Jardim Brasilândia, Jardim Dermínio e a região do Aeroporto não tinham uma gota d’água na torneira. “Estamos conseguindo adiantar a previsão inicial em torno de um dia. Já estamos recebendo água para ser tratada. A expectativa é que o segundo conjunto de bomba mais motor comece a ser testado amanhã (hoje) ao meio-dia”, adiantou João Comparini. De acordo com ele, os ganhos só foram possíveis em razão da dedicação dos funcionários que fizeram uma força tarefa para resolver o problema. A oficina em São Paulo, trabalhou 24 horas sem parar a fim de recuperar as máquinas.
Ontem, a população ainda encontrou dificuldades para conseguir água. Logo pela manhã, as filas em poços artesianos, minas e nos caminhões-pipas eram grandes. As pessoas carregavam os galões, garrafas e baldes das mais variadas formas. Carriolas e carrinhos de catar papelão eram os preferidos. As amigas Marilda Nunes, Maria José Ferreira e Sirlene da Silva saíram do City Petrópolis e caminharam até uma mina no Parque do Horto para buscarem água. “Vamos usar para fazer comida e beber. Para tomar banho e lavar louça usamos a água da chuva”, disse Marilda.
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