Receber entre R$ 15 e R$ 95 por mês. Essa é a esperança de mais de 1700 famílias de Franca que têm renda de, no máximo, R$ 175 por pessoa. Elas fazem parte do cadastro único de programas sociais controlado pela Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social que possui 10866 inscritos. Do total, 9084 já recebem benefícios dos governos federal (Bolsa Família), estadual (Renda Cidadã) e municipal (Renda Mínima).
O volume de solicitações de bolsas é alto. A rotatividade delas também. “A população está crescendo e a pobreza cresce junto. O fluxo de inscrições que fazemos é grande”, disse Dalva Deodato, diretora da rede de Assistência Social da Prefeitura. A secretaria cadastra mais de 400 novas famílias por mês, mas, só em janeiro, os cinco Crass (Centros de Referência e Assistência Social) receberam, em média, 670 pedidos de moradores de todas as regiões para serem inseridos em programas de transferência de renda.
Em janeiro, a demanda costuma ser maior. As coordenadoras dos centros atribuem o aumento às demissões em dezembro, redução de pedidos de costura de sapatos pelas fábricas no começo do ano e problemas de saúde. “Em dezembro, as pessoas estão envolvidas com outras preocupações. No Ano Novo, querem acertar a vida. Pedir bolsas para pagar contas atrasadas e reforçar o orçamento é um dos caminhos que encontram, mesmo sem a garantia de recebimento”, disse Gláucia Resende, coordenadora do Cras-Oeste.
Depois de procurar o Cras, os moradores passam por uma triagem e, se atenderem às exigências, são direcionados para fazer o cadastro único na Secretaria de Ação Social.
A doméstica Luiza de Oliveira, 53, moradora do Jardim Vera Cruz, é uma das que vivem na expectativa de conseguir benefícios do governo. Ela fez a inscrição no cadastro único ontem.
Depois de sofrer derrame há três anos, ficou com os movimentos da perna direita comprometidos e não tem condições de trabalhar.
O marido consegue cerca de R$ 250 como sapateiro e a filha, que mora nos fundos com três filhos de 9, 7 e 6, recebe R$ 150 com costura de sapato por mês. A situação na casa de Luiza ficou mais difícil há seis meses, quando mais uma neta, de 5 anos, foi morar com ela. Mesmo que pouco, o consumo de leite, água e alimentação aumentou. A assistente social da Prefeitura a orientou a se inscrever num programa de renda. “O dinheiro ajudaria nos gastos da gente.”
Ela terá de esperar. Dalva Deodato disse que a abertura de vagas não depende só do município. Apenas um dos programas, o Renda Mínima, é gerenciado pela Prefeitura. Os outros são de responsabilidade dos governos federal e estadual. “Não temos previsão de quando serão liberadas mais bolsas para Franca.
Transmitimos os dados e temos de esperar o retorno, que leva meses para ser dado”, disse ela.
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