A Câmara Municipal parece ter esclarecido o escândalo do disque-sexo. Ontem, a funcionária responsável pelo ramal que concentrava aproximadamente 90% das mais de 200 ligações feitas do telefone da Câmara Municipal de Franca para um telefone celular de Divinópolis (MG) entre janeiro e setembro de 2006 assumiu a autoria dos telefonemas.
A servidora desmentiu o boato, gerado na própria Câmara, que as chamadas tenham sido feitas para uma garota de programa. Na verdade, ela teria telefonado para uma parente que mora na cidade mineira. O objetivo das ligações era tomar conhecimento do estado de saúde de outro familiar, que estaria doente. Os cerca de R$ 960 gastos com o telefonema devem ser depositados em uma conta da Prefeitura e repassados ao Legislativo nos próximos dias.
A funcionária disse que teria vivido um verdadeiro drama familiar durante o período em que recorreu ao telefone da Câmara para tratar de assuntos particulares. O fato do assunto ter ultrapassado os limites do Legislativo e se tornado um escândalo público assustou a servidora, que teve receio de assumir a autoria dos telefonemas de imediato. Constrangida, ela resolveu fazê-lo ontem.
O presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro (PSB), considera que o caso foi resolvido. Para ele, a devolução do dinheiro aos cofres públicos finalizará o caso. “A pessoa assumiu e eu não vejo outra alternativa. Vou aguardar o comprovante do depósito. Feito isso, até mesmo de acordo com o processo aberto pelo ex-presidente Marcelo Mambrini (PMN), tudo estará esclarecido”, disse.
SENHAS
O escândalo do disque-sexo provocou reações no presidente da Câmara Municipal. Joaquim pretende implantar medidas que evitem a repetição de algo parecido dentro do Legislativo. Por isso, a hipótese de criar senhas individuais para o uso do telefone continua valendo. O vereador do PSB planeja comunicar oficialmente aos vereadores a medida, após sessão extraordinária que será realizada na próxima quinta-feira.Além disso, ligações interurbanas só poderão ser feitas com o auxílio da telefonista.
Joaquim aposta que conseguirá diminuir a conta de telefone da Câmara. “No ano passado, gastamos mais de R$ 50 mil. Com esses procedimentos, mesmo com os aumentos normais das tarifas, vamos diminuir esse número”.
As medidas de fiscalização do uso de equipamentos do Legislativo de Franca não param por aí. Joaquim pediu ao departamento de informática que restrinja o acesso a sites pornográficos em todos os computadores da Câmara. “Não sei se isso acontece aqui, mas, se acontece, não acontecerá mais”, disse o presidente.
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