Afonso: Quem ligou tem de pagar


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O assunto é instigante (uso de telefones da Câmara para mais de 200 ligações feitas a garota de programa, em Divinópolis, MG). À primeira vista o assunto parece simples de ser explicado, mas é mais complexo do que parece. Conheço as dependências da Câmara desde 1995, e nunca vi tanto rigor na administração quanto na época do Afonso. Foram instaladas câmeras de circuito interno para monitorar todos os que passassem pelas dependências. O próprio diretor fazia uma cara horrorosa para as pessoas que andassem por lá, com a finalidade de coibir a freqüência ao Legislativo. Todos os funcionários tiveram que seguir um rigoroso controle de uso de internet e telefones, a exemplo de: poderiam usar a internet somente funcionários autorizados; os sites que eram monitorados pelo servidor central só podiam tratar de assuntos do Legislativo. Os telefonemas de vereadores, se fossem interurbanos ou para celulares, tinham de estar dentro de uma cota mensal, passando sempre pelo controle da telefonista. É interessante observar agora os senhores Afonso e Marcelo Mambrini (ex-presidente da Câmara) dizerem que não tinham controle do uso dos aparelhos. Deveriam ter, pois a intenção de tanto rigor no uso era justamente exercer controle melhor sobre os próprios do Legislativo que, em última instância, pertencem ao povo. Eu acho que não vai acontecer progresso nenhum a partir dos procedimentos internos que estão sendo instaurados. A solução seria cobrar diretamente dos responsáveis diretos pelo uso de equipamentos e dos sistemas: a dupla Afonso e Mambrini, conforme manda a legislação sobre o bom uso da coisa pública. Em tempo: o atual diretor da Câmara disse que vai pedir à companhia telefônica que opera em Divinópolis, informações sobre o celular da suposta garota de programa. Não brinque com a população por favor, senhor diretor. O sigilo telefônico só pode ser quebrado a pedido de um juiz, e, assim mesmo, de acordo com a Constituição, deve ser para instruir processo criminal, ou de investigação criminal, o que não é o caso. Ademir é leitor do Comércio da Franca

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