Dilúvio arrasa Franca e região


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O casal Albertino e Angelita, grávida de oito meses, ficou ilhado com os três filhos no telhado de casa na tarde de ontem em Patrocínio Paulista
O casal Albertino e Angelita, grávida de oito meses, ficou ilhado com os três filhos no telhado de casa na tarde de ontem em Patrocínio Paulista
Apenas 30 minutos de fortes chuvas foram suficientes para devastar Franca e cidades da região. O temporal, que começou por volta das 16 horas, inundou vários pontos da cidade, derrubou casas, destruiu pontes na região e deixou famílias ilhadas. O sistema de fornecimento de água em Franca, administrado pela Sabesp, foi cortado e deverá faltar água por pelo menos uma semana. Em Patrocínio Paulista, o Rio Sapucaí-Mirim transbordou e avançou pela Rodovia Ronan Rocha. Uma família moradora das proximidades precisou pedir ajuda de cima do telhado. Outras estão desabrigadas e a prefeitura decretou estado de calamidade pública. Na região rural do Paiolzinho, em Franca, a chuva também deixou diversos sítios e chácaras inundados. No Jardim Palma, o muro de uma casa desabou e atingiu uma senhora. Na Vila Tótoli, o asfalto da Avenida Teodoro Geraldo Martins cedeu e abriu uma enorme cratera. As avenidas Hélio Palermo, Doutor Alonso y Alonso, a região do Galo Branco e a do Pronto-Socorro “Doutor Janjão” foram as mais atingidas. O barro invadiu as vias, carros foram arrastados e partes da parede do canal do Córrego dos Bagres desmoronaram. Segundo Valéria Marson, secretária de Obras, funcionários precisaram ser acionados com urgência e duas equipes com 16 pessoas cada foram colocadas em alerta. “Até segunda-feira teremos uma avaliação completa de todos os incidentes. A ordem é não interromper os trabalhos”. Ainda na tarde de ontem, Valéria acompanhou de perto os serviços de limpeza e interditou parte da Avenida Doutor Hélio Palermo. “Pedimos para que os motoristas evitem essas regiões, principalmente se estiver chovendo”. Na Vila Santa Terezinha e no Jardim Francano houve pequenos alagamentos causados por galerias obsoletas. Segundo o Corpo de Bombeiros, a partir das 17 horas, cinco ocorrências de enchentes foram atendidas na cidade. Não houve registros de quedas de árvores e vítimas graves. Apenas no Jardim Palma, na Travessa Rita Paulo Pinto, o muro atingiu a aposentada Alvarina Barbosa da Silva, 40. Ela foi encaminhada para a Santa Casa com quadro de politraumatismo, passou por cirurgia e permanece internada. Nas fazendas e chácaras dos arredores de Franca, a chuva também fez estragos. Na Fazenda Santa Marcelina, o Córrego das Onças, que corta a propriedade, transbordou e inundou as casas. Na região do Paiolzinho, os moradores ficaram ilhados. “Sempre venho para o sítio, mas quando chove a gente não sabe se volta. Há anos esperamos pelo asfalto”, disse, revoltada, Amélia Vilioni. O pedreiro Manoel Pinheiro ficou impressionado com o volume de água. “Como é que vou passar? Minha mulher e meu filho estão me esperando e não tenho como chegar em casa”. A PREVISÃO No Instituto Climatempo, o meteorologista Alexandre Pereira explicou que a pancada ocorreu em razão do tempo abafado e da alta umidade do ar. Segundo ele, uma densa camada de massa de ar frio avançou com velocidade pelo Estado de São Paulo provocando a tempestade. “Choveu muito em várias regiões paulistas. Além de Franca, Campinas, Bauru, Araraquara e São João da Boa Vista também sofreram com as chuvas”, disse. Na estação automática do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) em Franca, até as 23 horas, os dados brutos de pluviometria apresentavam um índice de 42 milímetros. Até na sexta-feira, já havia chovido na cidade 269,7 mm, o suficiente para ultrapassar a média mensal de 256 mm. De acordo com o aviso meteorológico especial do Inmet enviado à imprensa, as condições permanecem favoráveis à ocorrência de chuvas de moderadas a fortes, com rajadas de ventos ocasionais, até as 23 horas de hoje. Confira no site do Comércio (www.comerciodafranca.com.br) mais fotos sobre o dilúvio.

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