Márcia Barcellos, pediatra que cuida de Marcela desde que ela nasceu, não tem dúvidas: a anencéfala de Patrocínio Paulista possui alguma coisa de diferente. “Ela tem uns sentimentos incomuns. Não é só reflexo. (...) É uma coisa impressionante mesmo”.
Especialistas dizem que o fato de Marcela não ter personalidade e não possuir capacidade de raciocínio a classificaria apenas como um ser vivo e não um ser humano. A pediatra discorda. “Respeito as opiniões, mas, aí, é ser muito cético. A Marcela é uma criança que nasceu, respira sozinha, se mexe, tem nome, foi batizada. Ela existe sim”, disse.
Márcia não esconde a afeição que adquiriu pelo bebê. “Estou mesmo envolvida”. Apesar disso, também acredita que Marcela não viverá muito tempo. “O tronco cerebral dela vai se desgastar e uma hora vai parar, matando-a. Por enquanto, ele está funcionando muito bem. Sei que dará problemas, mas não tenho como dizer quando”.
A pediatra diz que prever o tempo de vida de Marcela é muito complicado. “Sei o que diz a literatura médica, mas a Marcela apresenta reações que não são comuns a anencéfalos. Ela tem coordenação motora, hipertemia. Um nenê anencéfalo não teria isso”.
O diagnóstico de Marcela não deixa dúvidas. “Assim que ela nasceu e sobreviveu, trouxemos ela a Franca. Foram feitas tomografias e realmente ela é totalmente desprovida de córtex. Ainda não sei como explicar essas reações incomuns”.
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