A Calçados Samello continua em busca de dinheiro. Segundo a advogada da empresa, Simone de Barros, os sócios tentam levantar recursos com a venda de diversos imóveis e a obtenção de empréstimos bancários. Mas, segundo especialistas em crédito empresarial e corretores de imóveis consultados pela reportagem, nem mesmo o gigantesco patrimônio do grupo garante que as tentativas obterão sucesso.
Quatro gerentes de bancos com agências em Franca, dois particulares e dois estatais, foram ouvidos. Metade deles foi categórico em afirmar que não cederia crédito para qualquer empresa em processo de recuperação judicial, caso da Samello. Os demais disseram que tudo dependeria de consultas à situação patrimonial, jurídica e cadastral da empresa. Alegando questões éticas, todos pediram para não ter seus nomes, e das instituições para as quais trabalham, divulgados.
Um dos profissionais, responsável pelas linhas de crédito de um banco estatal, foi incisivo na negativa. Disse que não seria viável emprestar dinheiro a uma empresa que briga para não falir.
“E se não for aprovada a proposta e o juiz decretar a falência? Acho impossível. Nem mesmo com garantia. Só seria possível a composição de uma dívida já existente, nada mais”.
Para outro gerente, de um dos maiores bancos particulares do País, vários aspectos teriam de ser levados em conta antes de uma eventual negociação. “Tudo depende das garantias. Isso é o que manda na hora da liberação do crédito. Há também a possibilidade das outras empresas do grupo ou até mesmo alguns dos proprietários buscarem esses recursos, mas só haveria chances com garantias sólidas”, disse.
Para um terceiro gerente, especialista em financiamentos a pessoas jurídicas, nem mesmo o vasto patrimônio da Samello garantiria uma transação de empréstimo. “Não basta analisar o valor do patrimônio, mas também sua liquidez. O que eu vendo mais facilmente, um bem de R$ 10 mil ou um de R$ 300 mil? Um banco sempre tem de considerar a liquidez de um bem aceito em garantia”, disse.
O último gerente disse que o tamanho de uma empresa como a Samello abre qualquer possibilidade. “A situação atual dificulta tudo, mas é um tipo de empresa que nem podemos atender em Franca. Isso é tratado direto em São Paulo. É uma estrutura patrimonial gigantesca. Tudo pode acontecer”, disse.
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