Todas as vezes que nos reunimos para celebrar a Eucaristia, a Palavra de Deus ocupa o centro das nossas atenções, ensinando-nos a construir o mundo novo que nasce da partilha dos bens da criação, da mesma forma que Cristo partilha seu corpo entre os membros da comunidade cristã.
A Eucaristia é celebração de irmãos, membros do corpo de Cristo. Cada vez que nos reunimos para a Eucaristia nosso coração se desperta para a importância dos gestos e sentimentos de solidariedade para com os pobres e marginalizados, com os que não têm voz ou vez.
Na liturgia da Palavra das missas deste domingo escutaremos que a Palavra de Deus gera comunidade. A Palavra congrega. A Palavra torna-se o centro da atenção da comunidade. Quando a Palavra de Deus é proclamada, torna-se necessário prestar atenção, ter o coração disposto a escutar. A Palavra é ouvida.
A Palavra de Deus suscita reações iguais em toda a comunidade.
Sempre que a Palavra é aclamada, Deus é adorado. Também a Palavra de Deus ilumina a vida do povo. Ela é uma verdadeira catequese que ilumina a vida daqueles que a escutam.
A Palavra suscita a partilha dos bens. Todo aquele que se deixa conduzir pela palavra de Deus sente profunda necessidade em ajudar o próximo. Aqueles que nada possuem não enfrentam dificuldades, pois, os que vivem na abundância, não acumulam para si, mas partilham. De modo particular essa atitude combina com o programa de Jesus que é libertar os pobres. E quem são os pobres? São os “anawîn”, isto é, os que vivem à margem da sociedade e à mercê dos poderosos, sem forças, sem protetor. Jesus é aliado dos pobres, é seu libertador.
A Boa Notícia de Jesus consiste em libertar todos aqueles que sofrem, não importa o tipo de sofrimento, pois, para Jesus o que é importante é a pessoa que foi criada à sua imagem e semelhança. O programa de Jesus á amplo: ele entende que é necessário que cada pessoa prejudicada recupere tudo aquilo que lhe foi tirado.
Vivendo no mundo aprendemos que competir é importante e que galgar os degraus do poder é valioso. Diante do programa de Jesus surge uma pergunta: “quem é importante na comunidade dos seguidores de Jesus?”
Na carta aos Coríntios, Paulo mostra que cada membro da comunidade tem seu dom e que os carismas nascem todos da Trindade, que é comunhão. O corpo possui muitos membros, cada qual com sua função, formando um único corpo. A comunidade-igreja é como um corpo: cada um com seu jeito, valores e capacidades. Essa diversidade é valiosa e é através dela que se chega à unidade em Cristo. Diante disso, todos são importantes na comunidade, cada qual com seu dom. Os dons não conferem valor às pessoas, nem as colocam acima dos outros. O outro, assim como é, é o grande dom de Deus para a comunidade.
Se houver necessidade de privilegiar alguém, o pobre, o pequeno, o marginalizado é que devem ocupar o primeiro lugar. Quando os “privilégios” atingem os pequenos, todos conseguem viver com igualdade.
PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é Pároco da Catedral de Franca
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