O nível de emprego industrial na região de Franca fechou 2006 com o pior desempenho do Estado de São Paulo. Pesquisa divulgada pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) mostra que, entre as 35 regionais estaduais, a de Franca, que compreende 19 municípios, foi a que apresentou o maior número de vagas fechadas. Durante os 12 meses do ano passado, foram perdidos 7 mil postos de trabalho, o que representa uma variação de -17,86%, em relação a 2005.
No sentido contrário, está a região de Presidente Prudente, que ocupa a primeira posição do ranking, com uma variação positiva de 15,58%, se comparado ao ano anterior. Naquela regional, foram criadas 5172 vagas de trabalho, a maioria decorrente, principalmente, dos setores de couro, de frigorífico, bem como do sucroalcooleiro. A regional de Prudente conta com 64 municípios.
Para medir a geração de emprego nas cidades, o Ciesp pesquisa 19 setores diferentes da indústria. No caso da produção de calçados, cerca de 25% das indústrias são procuradas para que forneçam uma amostragem de contratações e demissões, que é utilizada como base para a formulação do Neri (Nível de Emprego Regional da Indústria).
Segundo o Ciesp, nos 19 municípios da regional de Franca há cerca de 3 mil empresas e 30 mil trabalhadores. Além de indústrias da cadeia coureiro-calçadista, ainda existem indústrias de produtos químicos, açúcar e álcool, implementos agrícolas, autopeças, sementes, adubos, alimentos, entre outras.
Segundo a assessoria de imprensa do Ciesp, o desempenho negativo de Franca foi influenciado pelo fim da safra da cana-de-açúcar e pelas demissões da indústria de transformação, na maior parte fábricas de calçados.
Somente em dezembro, por exemplo, a variação teve índice negativo de 11,09%, motivado pela diminuição dos postos no setor de produtos alimentares ( -37,39%) e calçados (-8,82%). Os diretores da regional de Franca não foram encontrados ontem na cidade para falar da variação.
O cortador Maurício Donizeti da Silva, 42, morador no Jardim Cambuí, foi uma das vítimas. Com mais de 25 anos de profissão, já perdeu o emprego três vezes devido às demissões da indústria calçadista. “Eles não querem manter vínculo com o empregado, demitem em novembro para depois recontratarem em março. Para o empresário é bom, mas para a gente dá uma defasagem na carteira de trabalho e atrasa a aposentaria”. Nas usinas de açúcar e álcool da região, o processo é semelhante. Com o fim da safra, em novembro, os trabalhadores são dispensados e só retornam quatro meses depois.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.