Público cada vez menor nos cinemas


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Imagem do cinema de Franca que teve queda de público no ano passado
Imagem do cinema de Franca que teve queda de público no ano passado
O público nos cinemas de todo país diminuiu no ano passado em relação aos anos anteriores. Segundo o "Filme B", portal voltado ao mercado de cinema, a queda na venda de ingressos dos filmes exibidos em 2006 foi de 3% em relação a 2005. Essa redução se verifica também em Franca, de forma ainda mais acentuada. A cidade, que possui três salas de cinema no Franca Shopping com capacidade para 911 pessoas no total, registrou uma queda de público de 6,1% de 2005 para 2006. O número desperta a atenção, principalmente se se considerar que as salas de Franca são algumas das poucas comerciais existentes na região e, por essa razão, teriam o poder de atrair os cinéfilos das cidades mais próximas. Mas não parece que seja o que está acontecendo. Para Gustavo Ballarin, assessor de marketing e operações do Moviecom Cinemas de Franca, são muitos os motivos que levam as pessoas a não mais assistirem a filmes nos cinemas como há alguns anos. "A queda é, de fato, significativa. A pirataria, a redução do número de cópias nos lançamentos até a obrigatoriedade de exibição de filmes nacionais de pouco interesse para o público contribuem para esse quadro", disse ele, referindo-se à exigência da Ancine (Agência Nacional de Cinema), que determina às salas que reservem parte das exibições para os filmes brasileiros. O baixo custo nos preços de aparelhos de DVDs e nas locações também contribui para que as pessoas esperem o filme chegar nas locadoras ou nas lojas para assistirem em casa. O proprietário de uma locadora de vídeos, Adilson Aparecido da Rocha, 43, atesta essa realidade. "Os preços dos DVDs têm ficado mais acessíveis nos últimos anos e as pessoas preferem esperar para comprar ou alugar e ter acesso aos filmes com mais comodidade", disse o proprietário, que também está insatisfeito com a pirataria desses produtos. "Eles nem estão em cartaz nos cinemas e os camelôs já vendem o DVD pirata nas praças do centro da cidade" afirma, reclamando da concorrência desleal. A internet também acaba contribuindo para afastar o público do cinema. "É muito simples adquirir um filme, basta ‘baixá-lo` pela internet. Eu mesmo já baixei vários filmes, principalmente aqueles que demoram muito para estrear no Brasil. Ainda economizo o dinheiro do ingresso", disse o auxiliar administrativo, Vitor Alexandre, 21. Para conseguir competir com todos esses elementos que pesam contra - pirataria, facilidade de acesso a DVDs, filmes baixados da internet, aumento nos preços dos ingressos, redução do número de cópias de lançamentos e até a obrigatoriedade de exibição de determinados filmes - os cinemas parecem ter poucas armas em mãos. A aposta maior fica na paixão dos cinéfilos, que não abrem mão do telão, e nos lançamentos. "Por conta dos lançamentos previstos para esse ano, estamos apostando num aumento de público em 2007. Tanto é que temos em estudo para a ampliação do número de salas no Franca Shopping", disse o assessor de marketing do Moviecom, sem precisar a data para o investimento. Mas em Batatais, por exemplo, a aposta não deu certo. O proprietário do único cinema que existia naquela cidade, Flávio Frezza, teve que fechar sua sala em janeiro do ano passado, depois de aproximadamente cinco anos de funcionamento, por uma razão simples: não havia público para manter o Cine Plata de Batatais. Ele acredita que a popularização dos DVDs tem muito a ver com isso. ALTERNATIVOS Se faltam salas comerciais na região, sobra criatividade na hora de levar ao público filmes na telona. E de graça. As opções ainda são em número reduzido (veja quadro abaixo), mas são originais e costumam atrair bom público. Os cines alternativos das cidades costumam funcionar em casas de cultura ou até mesmo em praças. Nessa época do ano, a programação é mais voltada para o público infantil. A idéia é aproveitar o período de férias escolares, já que muitas crianças não têm condições financeiras de viajar e o cinema acaba sendo uma forma de diversão. Ribeirão Corrente, por exemplo, criou o projeto "Cinema na Cultura", que no último dia 12 de janeiro exibiu o filme X-Men, no anfiteatro da Casa da Cultura. O local abrigou 400 pessoas sentadas. O projeto ainda continua. Nos dias 25 de janeiro e 1º de fevereiro serão exibidos filmes infantis no período da tarde.

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