Doméstica pede socorro: ‘Quero viver’


| Tempo de leitura: 3 min
DEMORA - Clara da Veiga Cipriano mostra os exames feitos pela prima Elza que só recebeu atendimento ontem: internação só foi autorizada depois de 15 dias de insistência da família
DEMORA - Clara da Veiga Cipriano mostra os exames feitos pela prima Elza que só recebeu atendimento ontem: internação só foi autorizada depois de 15 dias de insistência da família
A doméstica Elza da Silva Ferreto, 58, há quinze dias, sofre com fortes dores abdominais. Com dificuldades para andar, passa a maior parte do tempo deitada em uma cama. Mais do que as dores, seu caso é grave e inspira cuidados. Uma das artérias de sua perna esquerda está entupida e pode estourar, causando hemorragia e morte. Apesar da gravidade, atestada por médicos, o quadro não foi suficiente para convencer a rede pública de Saúde a tratar de seu caso com a urgência devida. Desde o dia 3 de janeiro, ela já passou sete vezes pelo Pronto-socorro “Dr. Janjão” e outras duas pela Santa Casa. O máximo que conseguiu foram exames, injeções com antiinflamatórios e um pedido de internação que não saiu do papel. Revoltados, seus familiares decidiram prestar queixa na polícia na noite da última quarta-feira. O drama da começou há quinze dias, quando ela procurou, pela primeira vez, o “Janjão”. “Eu não conseguia urinar e tinha muita dificuldades para evacuar. As dores eram insuportáveis. Não estava aguentando mais”. O emergencialista que a atendeu se limitou a pedir um exame de urina, que não acusou nada. Procedimento idêntico foi adotado nas outras seis vezes que procurou o PS, onde os médicos não descobriram que doença ela tinha. Desesperados, Elza e seus familiares fizeram uma “vaquinha” e pagaram uma consulta na clínica particular da Santa Casa. Lá, foi constatado, após uma ultra-sonografia, que a doméstica sofre de aneurisma ilíaca, um tipo de entupimento na artéria que se for rompida pode causar a morte. A indicação do médico foi a internação para cirurgia. Como a consulta havia sido paga como particular, a internação no hospital também deveria ser custeada pela família, que não tem condições financeiras para isso. A alternativa dada foi recomeçar todo o processo na rede pública, pois só com encaminhamento do serviço público ela conseguiria internação pelo SUS. Elza foi encaminhada, novamente, ao PS “Janjão”. Com os exames em mãos e o diagnóstico pronto, o médico do PS indicou a internação de Elza na Santa Casa. “Pensei que finalmente teria meu drama resolvido, mas, para minha surpresa, o plantonista resolveu devolver o caso à rede pública. Me desesperei”. Desta vez, o encaminhamento foi para o NGA-16. Na guia, em vez de urgência, o médico indicou que o atendimento fosse feito “quando houver vaga”. Elza não foi até lá. Em vez disso, sua família resolveu procurar a polícia e registrou um Boletim de Ocorrência no Plantão. Elza está desolada. “Fui sete vezes ao Janjão e não virou nada. A situação de quem é pobre e fica doente em Franca é complicada demais”. A doméstica se emocionou ao falar da gravidade de seu caso. “Você sabe que está doente, que é grave, mas ninguém se preocupa com isso. Sei que estou velha, mas mereço respeito. Quero viver mais um pouco para ver minhas netas crescerem”, disse, chorando. O drama de Elza teve fim no início da noite de ontem. Depois de ser questionada pelo Comércio sobre as providências adotadas no caso, a Santa Casa decidiu interná-la e, no final da noite, ela começou a ser operada. Até o fechamento desta edição, o procedimento não havia terminado. O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, foi procurado para comentar o drama, mas não foi encontrado. Nas duas ligações feitas à Secretaria de Saúde, o telefone do Gabinete de Ferreira só chamava, sem que ninguém atendesse. O mesmo ocorreu em seu celular. O jornal deixou recado na caixa postal, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários