‘Faltou dó e humanidade’


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Antes de receber a notícia de que teria sua internação aceita pela Santa Casa, a doméstica Elza da Silva Ferreto atendeu ao Comércio. Ainda indignada, disse que sua situação poderia ter sido resolvida se houvesse mais boa vontade dos médicos. Comércio - Como foi o atendimento que prestaram à senhora? Elza - Fui no “Janjão” sete vezes. Só fizeram exame de urina. Cheguei a ficar meia hora gritando de dor e eles demorando. Se sentisse outra dor daquela, eu morreria. Aí, fizemos vaquinha e pagamos consulta na clínica da Santa Casa. Comércio - E o que aconteceu? Elza - Tinha feito um monte de exame de urina e não tinha dado nada. Mas na Santa Casa pediram uma ultra-sonografia que deu o problema (pausa), mas não me internaram. Comércio - Por quê? Elza - O médico da Santa Casa quis que eu fizesse mais exames. Deu uma cartinha para eu ir para o NGA e falou que não era aneurisma. Eu estranhei. falei para ele: “Como não é? Eu fiz o ultra-som!” Não adiantou. Ele falou que o caso era ambulatorial e tudo voltou, de novo, à estaca zero. Comércio - Como a senhora se sente? Elza - Perdi uma filha de 28 anos. Hoje (ontem) faz três anos. Morreu aberta, na mesa de operação. Foi a mesma história, não internavam ela que tinha câncer. Só foram atender quando ela estava mesmo para morrer... Está certo que estou velha, mas quero viver mais um pouquinho para ver minhas netas crescerem. Acho que tenho esse direito também. Não estou pedindo muito.

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