Lixão ameaça engolir casas na V. Tótoli


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O aposentado Daniel Duarte mostra como a rua está ficando rebaixada. Nem mesmo a água da chuva consegue escorrer
O aposentado Daniel Duarte mostra como a rua está ficando rebaixada. Nem mesmo a água da chuva consegue escorrer
Casas com paredes rachadas, gesso despencando e, no chão, um desnível tão grande que é percebido pelas poças de água que se formam nos quintais, dentro das residências e no asfalto da rua. Este é o drama que estão vivendo moradores da Vila Tótoli, na parte baixa da Rua Emílio Bertoni. A Prefeitura autorizou a construção de casas em um antigo depósito de lixo. Os moradores da área levaram o caso à Justiça, que comprovou a existência de resíduos orgânicos, como couro e outros tipos de entulho, há dez metros de profundidade no solo. Com o tempo, os materiais vão se decompondo e abalando as estruturas das casas. Nomeado pelo Juiz João Sartori Pires, que cuida do caso, o perito Antônio Monteiro Gomes, da Solocon (Engenharia de Solos e Construções), fez a avaliação de uma das casas e da rua e comprovou: os problemas vêm do solo. “Indiscutivelmente o problema foi causado pelo solo”, disse. Gomes descarta, porém, riscos imediatos de desabamentos. O problema começou há mais de dez anos, quando o local ainda era uma vala que foi coberta por lixo orgânico. Após o aterramento, a área foi loteada e os terrenos vendidos. O aposentado Daniel Duarte Alves, 63, foi um dos compradores. Em 1999, começou a construção. Um ano depois, o sonho de ter uma casa confortável e que acolhesse toda a família estava realizado, mas ao mesmo tempo começavam as preocupações. Hoje, ele processa a Prefeitura e quer ser indenizado. Em 2002 nove moradores, entre eles Alves, se uniram e ingressaram com ação coletiva na Promotoria Pública, mas logo foram orientados a entrarem com ações individuais. Foi o que Alves fez. “Não podia ficar calado, tenho que ver essa situação resolvida”, disse ele, que já fez duas reformas em menos de sete anos na casa. No processo, as reformas, com reforço na fundação e estrutura nas paredes, foram avaliadas em R$ 132 mil. A casa está orçada em R$ 385 mil. CULPA Na opinião do perito Gomes, tanto a Prefeitura quanto a loteadora são responsáveis. “O loteador jamais deveria ter vendido terrenos. Já a Prefeitura não poderia ter autorizado o loteamento. Aquele lugar poderia ser uma área de lazer”. Procurada pela reportagem do Comércio, a administração municipal informou, através do vice-prefeito, Ari Balieiro (PTB), e do departamento jurídico, que não tem conhecimento sobre o assunto, mas que vai “se defender assim que tomar ciência da situação”. A reportagem também não conseguiu contato com a Loteadora Tótoli, apontada como responsável pela comercialização dos lotes.

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