Os erros e deslizes de líderes e membros graduados, de instituições religiosas, têm se tornado freqüentes. Periodicamente noticia-se desvios de recursos, ou más condutas éticas e morais de cardeais, padres, pastores, e outros dirigentes evangélicos, cidadãos, até então, acima de qualquer suspeita.
Ao ganharem contornos de escândalos, tais ocorrências colocam em xeque a imagem de instituições, detentoras de anos e anos de relevantes serviços prestados à comunidade e à causa da humanidade. Reações afoitas, acabam, maldosamente, levando a sociedade a crer que a Igreja é conivente com os erros, quando na verdade, ela é sim, a grande vítima do comportamento inadequado, daqueles que as dirigiram e conduziram seus negócios para deles tirar vantagens pessoais ou para comportamentos lesivos.
É importante lembrar que as igrejas entendido como tal a instituição e seus membros são as primeiras vítimas da quebra de confiança. As igrejas dispõem de meios para apurar e punir os errantes sobre aos desvios de finalidade. E, ainda, para as ações desses infratores tipificadas como crime, existem a polícia e o Poder Judiciário.
Os estatutos das igrejas e de suas entidades paralelas e mantenedoras são bastante claros quanto à finalidade e aos meios de operação. Tudo o que for praticado por algum dirigente ou membro que não encontre guarida estatutária é passível de apuração, repreensão, punição e até expulsão. Conforme for o motivo da jubilação do faltoso, ela deve, por força de lei, ser noticiada às autoridades para as necessárias apurações e providências de ordem cível e criminal.
Todo cidadão tem o dever de agir com honestidade, lisura e honradez. Aqueles que um dia se dispuseram a pregar os princípios religiosos que, na verdade, constituem a base do bom comportamento social, sabem disso. Assim, se escolheram caminhos diversos e obscuros, devem receber a justa punição e, sem dúvida, o afastamento, para evitar a contaminação do meio. Não merecem sequer a notoriedade do escândalo e das contendas judiciais.
O melhor que as comunidades religiosas podem fazer é, depois da punição, relegá-los ao esquecimento para que a própria consciência um dia os puna.
Criadas com a finalidade de difundir práticas religiosas e sociais, muita vezes assistenciais, as igrejas, independente do ramo ou denominação, não podem se fragilizar com o erro, o furto ou a traição. Partindo do pressuposto de que o bem sempre predomina sobre o mal, devem recobrar forças, expurgar o indevido e continuar sua obra. Os que se desviaram do caminho traçado devem ter o devido encaminhamento sem que isso represente qualquer desmotivação dos demais. Pelo contrário, um erro deve ser apontado e discutido até para que sirva de alerta e não mais venha a ocorrer.
O movimento religioso é responsável pela estabilidade de milhões de famílias em todo o País, e pelo mundo afora. Sem sua atuação, muitos hoje estariam na delinqüência, encarcerados, mortos ou na miséria.
Esse trabalho humanitário não pode se prejudicar pela ação de uns poucos que enveredaram por caminhos diversos daqueles indicados pelas doutrinas e boas formas de atuação.
TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (APOMI)
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