As chuvas acumuladas de janeiro de 2007 bateram ontem o seu primeiro recorde em Franca e deixaram estragos na região. Em 15 dias de chuva, o índice chegou a 246,8 milímetros e superou o alcançado no mesmo período do ano passado. Em 2006, choveu 17 dias em janeiro e o volume acumulado foi de 225,4 mm. A média mensal, desde 1967, quando começaram as medições do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), é de 256 mm. Na região, esse volume foi suficiente para destruir pontes, danificar estradas rurais, aumentar o nível dos rios e trazer danos para a agricultura.
Somente das 9 horas de quarta-feira até completar 24 horas ontem, choveu 17,2 mm. A maior quantidade durante a madrugada. Antes, no dia 1º do ano, choveu 50 milímetros e na terça-feira, dia 16, 33,6 mm.
Apesar de forte, a chuva da madrugada de quinta-feira não fez vítimas ou trouxe transtornos maiores em Franca. No Corpo de Bombeiros, nenhuma ocorrência foi registrada. “Não houve alagamentos, quedas de árvores ou outros problemas causados pela água”, garantiu o tenente Glauco Castilho. Durante o dia, houve novas pancadas, mas sem grandes conseqüências. Na Secretaria de Obras da Prefeitura de Franca, também não houve pedidos de socorro. Segundo a secretária da pasta, Valéria Marson, as chuvas estão mais amenas e as obras na região do Galo Branco, entregues no ano passado, ajudaram a conter as inundações no local. “Estamos trabalhando na recuperação das paredes do Córrego dos Bagres onde houve erosão. Espero que até o fim de fevereiro tudo esteja concluído”.
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Segundo a meteorologista do Inmet, Luciene Dias, o tempo deverá continuar instável pelos próximos dias, com aberturas de sol pela manhã e pancadas de chuva à tarde e à noite. “Até segunda-feira uma nova frente fria passa pela região e provoca as pancadas, muitas vezes em pontos isolados. Chove em um local, mas não chove em outro. Isso na mesma cidade”.
Para hoje e amanhã, a previsão é de chuvas com períodos de melhorias. No domingo e segunda-feira, o dia permanecerá nublado. “Tudo isso ocorre em virtude do que chamamos de Zona de Convergência do Atlântico Sul. Ela acontece mais em janeiro e fica estacionada sobre as regiões. É um aglomerado de sistemas com uma massa de ar frio”, explicou a meteorologista.
PREJUÍZOS
Com apenas três dias sem chuvas nesses primeiros 18 dias do ano, as ruas de Franca se transformaram em “armadilhas” para os motoristas. Os buracos se proliferam e, em algumas situações, trazem prejuízos para a população. Bairros sem asfalto ficam mais críticos e estradas rurais, intransitáveis.
No condomínio de chácaras Três Porteiras, próximo ao Pólo Clube (saída para Patrocínio Paulista), a força das águas fez com que uma voçoroca avançasse rumo ao asfalto, a ponto de deixar mais de 30 propriedades “ilhadas”. “A chuva abriu uma enorme cratera que se agravou nos últimos dias. Tínhamos plantado bananeiras e bambuzais para segurar o avanço do buraco, mas eles foram derrubados com máquinas da Prefeitura quando fizeram o restante do asfalto”, disse um morador que preferiu não se identificar.
Em Batatais, a chuva além de trazer prejuízos para a malha viária tem atrapalhado o ensaio das escolas de samba que se preparam para os desfiles de Carnaval, um dos mais elogiados da região. “Com a chuva, temos de colocar a bateria dentro do barracão. O som fica péssimo e é muito quente”, disse o mestre de bateria da Império do Samba.
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