Bombeiros: de ‘heróis’ a parteiros


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A doméstica Elisângela Caetano e o marido Maurício Carneiro, sapateiro, observam a filha caçula Rayka Vitória em quarto da Santa Casa de Franca ontem: parto foi realizado pelos bombeiros na manhã de terça-fe
A doméstica Elisângela Caetano e o marido Maurício Carneiro, sapateiro, observam a filha caçula Rayka Vitória em quarto da Santa Casa de Franca ontem: parto foi realizado pelos bombeiros na manhã de terça-fe
Eles não trabalham de roupas brancas nem de sapatos dessa cor. Os uniformes que usam são cinza e as botas, pretas. Acostumados a apagar incêndios, socorrer acidentados e salvar vidas, os bombeiros assumem outra função durante seus plantões: a de parteiros. Não há estatísticas. Os partos são registrados como “resgate”. Mas em 2007, os homens de Franca já acompanharam o nascimento de duas crianças num intervalo de dez dias. O caso mais recente ocorreu na terça-feira, 16. Por volta das 6h30, Neusa Araújo ligou para 193 e avisou que a bolsa da filha Elisângela Caetano, 27, doméstica, havia rompido e ela estava ganhando nenê. Ao chegar ao Recanto Elimar III, os soldados Henrique Silva, Itamar de Lima e Carlos Eduardo encontraram a entrada da casa cheia de familiares e vizinhos e a grávida desmaiada de dor no sofá, que estava molhado e com sangue. “Foi um susto. A cabeça da criança já estava apontando e a avó estava segurando. Mas nessas horas, temos de manter a calma”, disse o soldado Henrique Silva, que é bombeiro há dez anos e já participou de nove partos. A mãe recebeu oxigênio para recuperar a consciência e ajudar no nascimento da quinta filha. O parto exigiu cautela dos profissionais. O cordão umbilical estava enrolado no pescoço e eles tiveram que deixar a criança nascer trazendo o cordão ao mesmo tempo para evitar que enrolasse ainda mais e a enforcasse. Eles conseguiram. Rayka Vitória nasceu com 48 centímetros e quase 3,5 quilos. Depois do cordão ter sido cortado pelos bombeiros, a viatura transportou mãe e filha para a Santa Casa. O soldado Henrique acredita que, num intervalo de 30 minutos, eles tenham reanimado a gestante, trazido a nenê ao mundo e levado mãe e filha para a Santa Casa. “Foi tudo muito rápido.” O primeiro nascimento acompanhado pelos homens do Corpo de Bombeiros em 2007 ocorreu logo na primeira semana do ano. A mesma equipe (os soldados Henrique, Lima e Eduardo) atendeu à ocorrência. A jovem Taís de Almeida, moradora no Jardim São Luiz, estava grávida de sete meses do segundo filho e começou a ter fortes contrações. Os pais a colocaram no carro para levá-la à maternidade, mas não deu tempo. A bolsa se rompeu quando estava dentro do veículo. “Quando a bolsa vazou, os pais da menina ficaram desesperados e nem conseguiram dirigir. Ao chegarmos, a avó já estava com a criança nos braços. Auxiliamos a família a cuidar do cordão, limpar a criança e levá-la para o hospital”, disse o soldado Henrique. Vítor Hugo nasceu com apenas 1,100 quilo e continua internado no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) Infantil da Santa Casa. Treinados para prestar primeiros-socorros, os bombeiros costumam assumir funções de paramédicos não apenas na assistência às gestantes. Em muitas ocorrências, realizam ressuscitação cardiopulmonar e salvam vidas. “O trabalho do resgate é muito importante. Ao estabilizar uma vítima com politraumatismo ou ao fazer massagem cardíaca, por exemplo, eles aumentam as chances de sobrevivência e reduzem os riscos de complicações à vítima”, disse a cardiologista Andrea Silva.

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