Para o soldado Henrique Silva, 2007 começou bem. Bombeiro há dez anos, já atuou como obstetra nove vezes. Duas delas neste mês. O nascimento de bebês não é o tipo de ocorrência mais comum atendida por ele, mas a sua preferida. “É bem melhor ter a vida do que encontrar pessoas machucadas. A maioria dos acidentes atendidos por nós tem vítimas.”
Comércio da Franca - O senhor se lembra do primeiro parto que ajudou a fazer?
Soldado Henrique - Sim. Não tem como esquecer. Eu não tinha completado um ano de casa e meu plantão estava terminando. Fomos chamados para buscar uma grávida na Vila São Sebastião. Ao chegarmos, a mulher estava com muita dor e sangrando demais. Colocamos ela na viatura e seguimos para a Santa Casa. Quase chegando lá, a um quarteirão de distância, percebemos que não iria dar tempo. Paramos a viatura e fizemos o parto.
Comércio - Como é ajudar um nenê a nascer?
Soldado Henrique - A adrenalina sobe demais. O momento costuma ser muito delicado, pois além da preocupação com a gestante e o parto em si, temos de ser um pouco psicólogos. As pessoas que acompanham as parturientes sempre estão desesperadas e ansiosas. Temos de manter a calma, passar tranqüilidade para a grávida e acalmar os acompanhantes. Quando vemos que tudo correu bem, ficamos felizes e orgulhosos. A Rayka Vitória, que nasceu terça-feira, é linda, forte, cabeluda e muito espertinha.
Comércio - Os bombeiros estão preparados para essas situações?
Soldado Henrique - Já sabemos que às vezes não vai dar tempo de chegar ao hospital para o bebê nascer. Sempre é tudo muito rápido. Temos de estar preparados. Somos instruídos para esse tipo de ocorrência e, na viatura, temos o kit-parto com lençol esterilizado para envolver o nenê, clip para grampear o cordão umbilical cortado, chuquinhas para aspirar a criança e até fita de identificação para colocar nos braços da criança e mãe. Mas todas as vezes, como para os familiares, vivemos uma surpresa.
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