Para Ubaldo Silveira, professor de filosofia, ética e ciências políticas da Unesp de Franca, ter um representante entre os secretários de Estado “faz diferença”. Silveira diz que o interior merece a atenção dos governadores na hora da escolha da equipe. Segundo ele, o perfil econômico calçadista de Franca e seu peso político e populacional a credenciam a ter um membro no secretariado.
Comércio da Franca - Apenas seis dos 25 secretários de Serra têm ligação com o Interior. Estamos mal representados?
Ubaldo Silveira - Se formos pensar sobre a população e a formação de São Paulo, isso é muito pouco. Na minha visão deveria ser no mínimo 50%, porque o interior tem uma representatividade, tem um peso grande.
Comércio - Essa ausência deve se refletir na hora de repartir o bolo de recursos?
Ubaldo - Não necessariamente. Eu não tenho condições de dizer se os secretários são bons ou não, mas se forem pessoas que têm uma visão do Estado como um todo, da Capital ou do Interior, têm de pensar o Estado como um todo.
Comércio - A região de Franca ficou sem nenhum representante. O senhor acredita que a representatividade política da região é insuficiente para conseguir um secretário?
Ubaldo - Eu creio que a região deveria ter um secretário. Franca é uma cidade que não só em população, mas em termos de representatividade política, tem um peso. Há, ainda, a questão do calçado. Se alguém está lá sem uma visão para o Interior, sem uma visão para a indústria de calçados de Franca, o problema se agrava cada vez mais. Quanto mais falta uma política para o desenvolvimento industrial, em específico para o calçado no caso de Franca, as indústrias vão cada vez mais indo para o nordeste.
Franca tem sua especificidade, é um pólo. Por isso, deveria ter alguém que representasse a cidade. Quem está na capital, não vai ter a visão de alguém que está no cotidiano, vendo a problemática do setor.
Comércio - Um secretário faz diferença?
Ubaldo - Faz diferença.
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