Mais de 7 mil aposentados precisam ser recadastrados


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Célia Viscondi, coordenadora do INSS em Franca. Posto de atendimento receberá três médicos para reduzir a espera por perícias, que hoje demoram até três meses para serem feitas
Célia Viscondi, coordenadora do INSS em Franca. Posto de atendimento receberá três médicos para reduzir a espera por perícias, que hoje demoram até três meses para serem feitas
Mais de 7,8 mil aposentados por invalidez de Franca e região vão ter de se recadastrar. Todos serão convocados pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para passar por novos exames médicos. Os que forem considerados aptos ao trabalho terão seus benefícios cancelados. Por mês, o governo federal desembolsa mais de R$ 3,9 milhões com o pagamento dessas pessoas só na região de Franca. O INSS ainda não definiu a data em que o recadastramento começará, mas garante que terá início ainda este ano. “Assim que esta data for definida, enviaremos uma carta convocando os aposentados a comparecerem na agência para que o exame seja feito”, disse Célia Viscondi, coordenadora do instituto em Franca, que atende também outros dez municípios (São José da Bela Vista, Restinga, Rifaina, Jeriquara, Pedregulho, Cristais Paulista, Ribeirão Corrente, Itirapuã e Patrocínio Paulista). Na correspondência, constarão a data e o local em que a pessoa será atendida. Como são aposentados por invalidez, muitos beneficiados não têm condições físicas de se deslocar até o posto do instituto. Para estes casos, o INSS preparou um esquema especial. “Equipes médicas se deslocarão até a residência ou ao hospital em que o aposentado estiver internado para que os exames do recadastramento possam ser feitos”, disse Célia Viscondi. Esta será a primeira vez que os aposentados por invalidez serão recadastrados. Por lei, este procedimento deveria ser realizado a cada dois anos, mas por falta de médicos peritos, nunca foi feito. Através desses novos exames, o governo federal espera identificar aposentados que têm condições de voltar ao trabalho e, portanto, não teriam mais o direito de continuar recebendo o benefício pago pelo governo. O recadastramento também servirá para identificar fraudes. “Recentemente, o INSS fez um cruzamento de dados com o FGTS e identificou que existem aposentados por invalidez que têm registro como trabalhadores. Esse censo nos ajudará a identificá-los mais facilmente”, disse a coordenadora. Nos casos de fraude, o governo exigirá que o aposentado irregularmente devolva aos cofres públicos todo o dinheiro que recebeu indevidamente. Além disso, não estão livres de terem de responder a processos criminais. A previsão é que o recadastramento tenha duração de, no máximo, dois anos. A dona de casa Maria de Lourdes Mello é uma das que terão de passar por novos exames. Ela recebe o benefício há mais de 20 anos. Maria ocupava o cargo de secretária em uma loja de materiais de construção quando um exame revelou que ela sofria de reumatismo. “Fiquei afastada por dois anos e, como minhas dificuldades de locomoção persistiram, a perícia constatou que eu não poderia voltar a trabalhar e me aposentou”. Para ela, o recadastramento é um “mal necessário”. “Será um transtorno ter de ir novamente ao INSS e passar pelo médico, mas, se isto garantir a continuidade da minha aposentadoria e coibir os golpes, vale a pena”.

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