Grávida de nove meses, com dois filhos menores - de 6 e 3 anos - Edna Oliveira da Silva, 23, está desempregada e vive de favor em quatro cômodos de fundos na casa da irmã, no Jardim Líbano. Os pais das crianças não pagam pensão. Para sobreviver, ela costura sapatos, o que lhe garante uma renda mensal de R$ 50. A família só não passa fome porque conta com doações esporádicas. A realidade de Edna deve mudar nos próximos dias. A família dela é uma das 97 novas beneficiadas pelo Renda Mínima. Mantido pela Prefeitura, o programa que repassa R$ 93 por mês a 454 famílias carentes da cidade, e a partir do dia 22, será ampliado e passará a atender 551.
Todas são famílias que precisam do apoio financeiro do poder público para vencer parte das dificuldades do dia-a-dia. “São casos em que a renda total da casa não ultrapassa meio salário mínimo por pessoa. Com tão pouco, é duro manter o mínimo de dignidade”, explicou Roberto Nunes Rocha, secretário de Desenvolvimento Humano e Ação Social, que comanda o programa.
Com um filho de 15 anos que ainda não trabalha, uma filha de 21 anos grávida e sofrendo de pneumonia, a dona de casa Maria de Lourdes Lima, de 56 anos, moradora do Centro, sabe bem o que é isso. Em sua casa, muitas vezes, falta o que comer. “Meu marido trabalha em Batatais, cuidando de roça e ganha R$ 15 por dia.
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Pagamos aluguel, água, luz e outras contas. Nem sempre o dinheiro dá até o fim do mês”. Para ela, a notícia de que seria uma das beneficiadas pelo Renda Mínima foi uma bênção. “Esse dinheiro virá em boa hora. Vou usar para colocar as contas em ordem e comprar comida”.
De acordo com o secretário, as famílias têm autonomia para utilizar o dinheiro e não precisam necessariamente gastar com alimentos. “Eles podem comprar comida ou utilizar para outras necessidades da família. A única coisa que não podem fazer é comprar bebidas e cigarros”.
A manicure Joraci de Souza Silva, 53, mora no Parque Vicente Leporace e precisa cuidar dos netos (de 5, 3 e 1 ano de idade).
Os pais das crianças estão presos há quatro meses e coube à avó paterna acolher os três. Resultado: as despesas aumentaram a ponto do salário de outro filho não ser mais suficiente para arcar com todos os gastos. “Graças a Deus, os vizinhos e conhecidos nos ajudam. Se não, não sei como faria”. Ela, que também será beneficiada, já sabe o que fará com o dinheiro. “Vou comprar roupas, calçados e remédios para meus netos”.
Sabendo que poderá utilizar o dinheiro da maneira que achar conveniente, a dona de casa Maria de Fátima Oliveira, 21, já pensa em comprar um guarda-roupa. “Guardo muitas roupas em caixa de papelão. Com o dinheiro poderei comprar um guarda-roupa de casal”.
Maria de Fátima mora com o marido e dois filhos de 3 e 4 anos em uma casa simples no Jardim Santa Bárbara. O único dinheiro que entra no orçamento da família são os R$ 460 do marido que é sapateiro. Desse valor, R$ 140 vão para o aluguel. “Sobra pouco ou quase nada para comprar objetos para casa, roupas e calçados para as crianças”, disse Fátima.
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