Dificilmente o “correio eletrônico” vencerá o “e-mail”, ou o “centro de compras” eliminará o “shopping center”. O “cartaz” enfrenta uma briga titânica contra o “poster”, assim como a “classificação” está empatada com o “ranking”. A “bike” está subjugando a “bicicleta”. Há certas expressões estrangeiras que já estão consolidadas em nosso vocabulário, muitas vezes pelo fato de não existirem correspondentes na língua de Camões ou por se referirem a avanços tecnológicos desenvolvidos em outros países que julgamos desnecessário forjar um vocábulo exclusivo para os falantes de língua portuguesa. Quando os gringos inventaram o CD (compact disk) achamos que a sigla nos bastava e não precisávamos invertê-la para DC (disco compacto). “Internet” não virou “Interrede”, “web” não virou “teia” e “mouse” não virou “rato”.
Tudo muito compreensível, o problema é quando estrangeirismos, principalmente anglicismos (expressões vindas da língua inglesa) completamente desnecessários e injustificáveis tomam o lugar de palavras já consagradas e de domínio público, tornando a comunicação mais difícil. Por que escrever “30% off” se é muito mais inteligível “30% de desconto”? Porque anunciar “home delivery” quando se tem a opção de deixar claro ao consumidor que se faz “entrega em domicílio”?
Foi para evitar certos abusos que na quinta-feira o juiz federal Antônio André Muniz Mascarenhas de Souza, determinou que o governo fiscalize o uso (e o abuso) de estrangeirismos em anúncios publicitários. Nas prateleiras, nos banners (ou melhor, faixas) e vitrines, expressões estrangeiras devem ser acompanhadas de tradução no mesmo tamanho. O descumprimento será punido com multas.
Não se trata de xenofobia, de radicalizar e querer fazer com que o “abajour” (que veio do francês) volte a ser uma simples luminária, mas tentar fazer com que não se seja extremamente ridículo quando se pensa estar sendo “chic”, ou melhor, elegante. Não podemos ser puristas ao extremo, como o personagem Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, que em seu ultra-nacionalismo defendia que o tupi fosse a língua oficial do País.
Mas também não é aceitável que haja um entreguismo tamanho a ponto de abrirmos mão dos elementos que formaram esse nosso elemento cultural forjado durante séculos (o português brasileiro) em detrimento da influência da cultura imperialista norte-americana, que quer impor a todo o mundo o “american way of life”, ou melhor, o modo de vida americano.
Temos, na “língua brasileira”, influências de diversas culturas formadoras. O processo histórico trará novas transformações, mas elas não devem ocorrer de maneira tão impositiva e sem sentido.
É verdade que a língua é viva e está em constante transformação, e em um mundo globalizado esse processo se acelera bastante, mas não há porque forçar a barra.
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