Empregados demitidos pela Samello decidiram ontem, em assembléia, que a empresa poderá ceder bens como forma de pagamento das dívidas trabalhistas de no mínimo R$ 8,6 milhões, segundo edital publicado no Diário Oficial de 20 de dezembro.
Para o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, a decisão aumenta as chances de negociação. “Trata-se de outra forma para que a empresa possa arcar com os débitos”, disse. Uma reunião entre membros da comissão de negociação dos trabalhadores e da direção da Samello deve ocorrer nos próximos dias.
Mais de 150 ex-funcionários da empresa participaram da assembléia. Paulo Afonso Ribeiro fez questão de ressaltar que qualquer acordo que implique repasse de imóveis ou equipamentos da empresa para os trabalhadores terá de ser aprovado em outra assembléia. Além disso, disse que qualquer acerto do gênero dependerá de avaliações de mercado. “Vamos consultar especialistas que possam apontar o valor de mercado do bem”.
Paulo Afonso aproveitou o encontro para esclarecer pontos das ações trabalhistas que já correm em juízo. O principal deles trata de uma diferença identificada pelo Sindicato nas dívidas assumidas pela Samello e acusadas pelos ex-funcionários. “Já comunicamos à empresa essa divergência e o assunto voltará a ser discutido na próxima semana”, disse o presidente.
Procurado por telefone celular, o presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, não foi encontrado para comentar a decisão da assembléia. A Samello está com a produção parada desde o dia 16 de outubro. Em 23 de novembro, oficializou as demissões de 390 trabalhadores. A dívida total da empresa ultrapassa a casa dos R$ 65 milhões.
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