Cresceram os casos de crianças vítimas de negligência em Franca no ano passado. Até novembro, o Conselho Tutelar registrou 108 ocorrências a mais que no mesmo período em 2005, um aumento de 14%. São casos de menores de 12 anos mal alimentados, sem banho, com piolhos, assaduras fortes, doentes, vivendo em meio a sujeira em casas fedidas e com mofo, “jogados” pelas ruas e sem freqüentar a escola.
Um dos casos que mais chocaram foi o vivido no apartamento 42 do conjunto habitacional do City Petrópolis. Abandonadas pela mãe, que é usuária de drogas, e sob os cuidados do pai, quatro crianças entre 8 meses e 4 anos viviam em meio ao lixo, cobertores sujos de urina e rodeadas de baratas. A situação estava tão deplorável que a avó das crianças resolveu denunciar o descaso.
O Conselho interveio. As crianças foram retiradas da casa. Enquanto estavam num abrigo, a família teve apoio da Prefeitura e voluntários para faxinar o imóvel, pintá-lo e ocupá-lo com novos móveis, pois os existentes foram descartados por estarem infestados de baratas. Os filhos do casal ficaram 17 dias fora. Ainda em novembro, o Conselho resolveu dar mais uma chance aos pais cuidarem deles. Não adiantou.
Durante uma das visitas das assistentes sociais do Fórum “Alberto de Azevedo” que continuam acompanhando o caso, a mãe dos menores foi encontrada desmaiada depois de usar drogas. As crianças foram removidas novamente. Duas estão com a avó e a madrinha e dois voltaram para o abrigo. Samuel de Oliveira, responsável pelo setor da Infância e Juventude do Fórum, disse que a Justiça concedeu mais um prazo para a recuperação dos pais, mas, se as condições na casa não mudarem, eles perderão o direito de criar os meninos.
Também registrada em 2006, outra história continua sem solução. As vítimas vivem na região leste da cidade. Dois irmãos pequenos correm risco de serem retirados da mãe. De novo. Os gêmeos, de 3 anos de idade, ficaram algum tempo sob os cuidados do Berçário Dona Nina depois da creche em que estudavam avisar os conselheiros tutelares que estavam desnutridos, abaixo do peso, tinham pneumonia com freqüência e não eram medicados corretamente pela mãe.
No berçário, os pequenos recuperaram a saúde e voltaram a conviver com a mãe. A Justiça determinou visitas semanais ao endereço para observar como estão sendo tratados. “É um caso extremo, por isso visitamos direto. Mas já observamos que se ela não mudar e cuidar melhor da casa e das crianças, ficará sem os gêmeos novamente. Por enquanto, eles estão bem”, disse a conselheira tutelar, Luciana Neves.
AS FERIDAS DEIXADAS
A negligência pode deixar vários traumas aos agredidos, como desnutrição, problemas de saúde, dificuldades para dormir, irritabilidade e agressividade. Os pais também podem sofrer conseqüências graves por seus comportamentos. “Se forem negligentes, correm o risco de perder os filhos definitivamente”, disse a conselheira. Nesses casos, as crianças são direcionadas à adoção.
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