“Fiquei com medo de tirarem meu filho de mim.” Essa foi uma das frases da dona de casa Cecília Ferreira, 29, ao relembrar um dos momentos mais tristes de sua vida: quando o Conselho Tutelar decidiu encaminhar seu terceiro filho, Juliano, hoje com 3 anos, para o Berçário Dona Nina.
A separação da família aconteceu em 2005. Desde os quatro meses, Juliano dependia de acompanhamento médico. Não conseguia firmar o corpo, nasceu com problemas de coração e respiratórios. “Ele vivia no hospital com problemas de pulmão”, disse a mãe. “Ficava internado demais. Acho que a Santa Casa chamou o Conselho Tutelar e resolveram levá-lo para o Berçário”, disse o pai Luís Carlos Ferreira, 29, servente de pedreiro.
Cecília tem problemas neurológicos e não conseguia oferecer todos os cuidados que o filho caçula exigia. “Vimos que ela não fazia por mal, simplesmente, não tinha como cuidar dele’’, explicou a conselheira Vanessa Tristão.
A criança foi para o Dona Nina em 2005. Juliano ficou cerca de um ano na entidade com atendimento médico, de enfermeiras, medicação e alimentação adequada. Hoje, a realidade da família, que mora numa casa simples na Vila Aparecida, é outra. Como Juliano já está mais velho e se fortaleceu no período em que ficou no berçário, em 20 de dezembro do ano passado, ele pôde voltar para os pais e deverá ficar direto com os familiares. “Bem dizer vi esse menino morto. Agora, graças a Deus, ele está se desenvolvendo”, disse a mãe.
Com apoio dos conselheiros tutelares, do berçário e do Creas (Centro Especializado de Assistência Social), Cecília agora consegue cuidar melhor de Juliano e seus outros três filhos de 9, 7 e 2 anos.
Por indicação do Berçário, Juliano está em tratamento em Ribeirão Preto. Após o atendimento na cidade vizinha, passou a pronunciar algumas palavras e a andar. Ele também toma suplemento alimentar para ganhar peso, tem atendimento fonoaudiológico e estudará na escola da Apae (Associação de Pais e Amigos do Excepcional) em 2007.
A história de Juliano foi um dos casos de negligência acompanhados pelo Conselho Tutelar nos últimos dois anos. “A situação da família é bastante delicada. Se os pais tivessem condições de criar, a criança não teria sido retirada deles, mas percebemos que a mãe tem dificuldades intelectuais e temos de respeitar isso”, disse a conselheira tutelar Vanessa Tristão.
Hoje, acompanhada pelos profissionais, Cecília acata as orientações recebidas. “Eles me ensinaram que não podemos atrasar os remédios para coração e anticonvulsão, que temos de observar bem ele e correr quando passar mal”, disse ela, que não quer nem pensar em ficar longe do filho novamente.
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