Em quase todos os casos de negligência envolvendo crianças, os principais autores são os pais ou responsáveis. Na maioria dos casos, a negligência é resultado da falta de conhecimento ou condições financeiras da família. “É um ciclo vicioso. A grande parte dos agressores foram negligenciados enquanto filhos. Como quando crianças não receberam atenção da mãe, ficavam sem comer, desamparados, fazem o mesmo com seus filhos. Mas naquela época não existia o trabalho do Conselho para mudar a situação”, explicou a assistente social e conselheira tutelar Vanessa Tristão.
A assistente social Juliane Stamato concorda. Ela trabalha no Berçário Dona Nina, que atende crianças encaminhadas pelos Conselhos Tutelares de Franca e região quando retiradas de seus pais. “Às vezes, julgamos a família e quando nos aproximamos dela, vemos outra realidade. Alguns casos acontecem realmente pelo descaso dos pais; o filho não foi planejado, a pessoa tem preguiça, não gosta de ser mãe, mas outros vivem em condições precárias mesmo e negligenciam por serem negligenciados pelo Estado, pela sociedade...” Metade dos 30 usuários mensais da entidade são encaminhadas pelos conselheiros.
No local, a equipe realiza um trabalho educativo na tentativa de remediar o problema e prevenir sua repetição. São feitas reuniões mensais com os familiares para troca de experiências, orientações e encontros com profissionais para falarem de temas variados. Nutricionistas costumam dar dicas sobre higiene no preparo dos alimentos e como aproveitá-los melhor; ginecologistas conversam com os participantes sobre planejamento familiar e métodos contraceptivos, etc. “Tentamos passar para as mães a cultura do cuidado, do amor e da educação.”
Esse trabalho representa um dos caminhos apontados pelo Promotor da Infância e Juventude, Augusto Arruda Neto, para prevenir atos negligentes. “Evitar essas ocorrências depende de um trabalho amplo do poder público para que as pessoas possam ser amparadas e vivam bem, com emprego, com suporte da família e livre de vícios.” Arruda diz que a maioria dos casos atendidos pela Justiça estão relacionados ao uso de drogas, alcoolismo e falta de apoio dos familiares.
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