O Tempo Comum


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O Tempo Comum começa no dia seguinte ao da celebração da festa do Batismo do Senhor e se estende até a terça-feira antes da Quaresma, inclusive. Recomeça na segunda-feira depois do domingo de Pentecostes e termina antes das Primeiras Vésperas do 1º Domingo do Advento. O período - o maior do ano litúrgico - nos possibilita desfrutar de outros aspectos da vida e da missão de Jesus e seus discípulos que não são contemplados nos ciclos do Natal e da Páscoa. Cada domingo do tempo comum tem sabor de "páscoa semanal". A palavra de Deus proclamada no segundo domingo do Tempo Comum nos fala que o amor mais sublime que une duas pessoas é o amor do esposo e da esposa. Eis porque Deus, para descrever seu imenso amor pelo povo de Israel, não podia deixar de usar esta imagem do amor conjugal. Os israelitas, ao voltarem do exílio da Babilônia, encontraram Jerusalém reduzida a um montão de ruínas e pensaram que já não havia mais nada a fazer. Aos poucos percebem que o amor de Deus não é inconstante e frágil como o dos homens. O profeta que conhecia os sentimentos do Senhor, anuncia-lhes a alegria de ser Jerusalém, a "esposa predileta". Deus não a abandonaria e, ao contrário, estaria sempre ao seu lado. Tal lição serve para nós: quando passamos pela triste experiência do pecado, nos sentimos desesperados. Ali, Deus se encontra conosco, e nos salva renovando nossas esperanças. Deus cuida de todos nós e os atos de Jesus demonstraram isso, pois, foi sempre preocupado com as necessidades a-lheias: ele não deixa faltar o vinho nas bodas de Caná da Galiléia. O vinho, antes de tudo, na Bíblia, é o símbolo da felicidade e do amor. O tempo que vivemos é o tempo das núpcias eternas. Jesus apagou para sempre a religião da tristeza. Ele destruiu para sempre a imagem do Deus severo, que deve ser temido, servido e respeitado. Jesus, através das suas palavras e dos seus atos, revelou a ternura de Deus, deu aos seus discípulos a religião autêntica que é a religião do amor. Com sua vida procurou transmitir confiança e esperança. Jesus se alegra com a nossa felicidade. Participando da celebração eucarística neste domingo aprendemos que a nossa felicidade não está em reter alguma coisa só para nós. Somos felizes quando doamos um pouco do que temos ou recebemos por nossos esforços. A felicidade não está em guardar para si; a alegria que enxergamos nos olhos de alguém que recebe alguma coisa é o maior prêmio que podemos ter. Deus não poupou seu Filho, pois, no seu filho nos entregou a Vida que não termina. JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.

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