Os moradores da Rua Octávio Santiago Amparo, no Jardim Ana Dorothéia, estão “ilhados”. Carros e caminhões não entram na via. Para aqueles que resolvem ir andando, há o perigo de torcer o pé, seja de dia ou à noite. Até mesmo motoqueiros e ciclistas encontram dificuldades para trafegar no local, que com as chuvas intensas deste início de ano ganhou buracos imensos. Nos últimos dias, houve até morador que resolveu guardar o carro na casa de parentes para não ter mais gastos com oficina.
A Rua Octávio é de terra, fica em uma região de declive e as valetas abertas no chão são capazes de “engolir” uma criança. Empresas de materiais de construção, móveis e bebidas se negam a fazer entregas e até mesmo a coleta de lixo e a polícia sofrem para prestar serviços no local. As 15 famílias que moram na rua estão revoltadas e pedem providências à Prefeitura. “Se precisar do socorro de uma ambulância, ela não entra. Vai precisar carregar a pessoa no colo. Isso é um absurdo”, desabafou a dona de casa Paulínia Machado Cintra. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Obras, disse que começará a resolver o problema a partir de segunda-feira.
Segundo o pedreiro Devanir Fernandes dos Reis, morador do bairro desde setembro do ano passado, a última solicitação para arrumar os buracos foi feita à Prefeitura no dia 11 de dezembro de 2006. “Liguei e me disseram que era preciso ir lá, fui e tenho o protocolo, mas até agora nada resolveram”. Seu vizinho, o pespontador José Carlos da Silva, também reclama e diz que seu carro já quebrou mais de três vezes. “Não consigo entrar na garagem, desisti de trazer o carro para casa. A conta da oficina estava ficando alta. A melhor solução foi deixá-lo na casa de um parente”.
Até quem não mora no bairro, mas transita por ele com freqüência, está indignado com a situação. Jair Juventos Castro, motorista de caminhão de uma empresa de bebidas da cidade, ficou duas semanas sem fazer entregas no local. “Os clientes reclamavam da falta de mercadoria, mas não tinha como atender. Agora, preciso contar com a sorte para não encravar em um buraco. Não são em todas as ruas que entro. Nessa (Rua Octávio Santiago Amparo) não precisa nem tentar”.
Nas ruas paralelas, a situação não é diferente. Na Rua José Pinto, os moradores precisaram improvisar e usaram entulhos para diminuir o tamanho dos buracos.
“Há mais de seis meses está tudo na mesma situação. Não pedimos pelo asfalto, queremos apenas a manutenção das ruas”, disse o pedreiro desempregado Osmar Ramos Rodrigues.
OUTROS PROBLEMAS
Além das crateras, os moradores da Rua Octávio Santiago Amparo também sofrem com o mato alto e a infestação de bichos e insetos. Escorpiões, baratas, cobras e mandorovás apavoram crianças e adultos. Eles aparecem na rua e até mesmo no interior das residências. “Tenho três filhos pequenos e com tanto bicho, minha atenção precisa ser redobrada”, disse a dona de casa Leonice Oliveira Soares. “O mato traz insegurança até durante o dia, pois o bairro é isolado e a gente quase não vê polícia, estamos isolados”, completou a moradora.
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