Arte em azulejo


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Mauro Augusto Ferreira pinta paisagens utilizando instrumentos simples e material alternativo em pleno calçadão de Franca
Mauro Augusto Ferreira pinta paisagens utilizando instrumentos simples e material alternativo em pleno calçadão de Franca
Um banquinho simples, um caixote de madeira, alguns azulejos, um estojo de tintas, uma esponja e muita criatividade. Assim o artista autônomo Mauro Augusto Ferreira, 44, usa todo o seu talento ao transformar simples ladrilhos em arte. São cachoeiras, florestas, estradas com montanhas, praias e caminhos cheios de árvores, retratados em simples peças e transformados em objetos estéticos pelo artista. O francano Mauro não fez nenhum curso e aprendeu sozinho a pintar os azulejos. "Há dois anos, vi um homem pintando o ladrilho na praia e gostei. Cheguei em casa, tentei fazer e ficou horrível. Mas como estava enfrentando uma grave crise financeira, resolvi insistir, fui me aperfeiçoando e consegui. A partir daí comecei a vender para tentar sair do sufoco" diz ele, que para confeccionar as peças leva de 3 a 4 minutos apenas, dependendo do desenho. Além disso, na hora de pintar, Mauro não usa nenhuma imagem para cópia. Segundo ele, toda a inspiração para desenhar a paisagem vem de sua própria imaginação. "Eu viajo no pensamento, costumo pintar temas da natureza que exibem imagens onde as pessoas gostariam de estar. O mais engraçado é que muitos dizem conhecer o lugar, mas eu nem sei se a paisagem que desenhei realmente existe", diz Mauro. Ele é casado e pai de quatro filhos, trabalha fazendo “bicos” com carrinhos de lanche, churros e divulgação visual. Costuma vender os azulejos decorados, nas praças do Centro de Franca nos meses de dezembro e janeiro. No restante do ano ele expõe os desenhos em praias, rodeios, festas e shows pela região. No final do ano passado ele chegou a vender 45 azulejos em um só dia. Cada um custa em média R$ 5. Além de pintar nos azulejos, ele também já aceitou o desafio de pintar paisagens em outros objetos. "Já pintei em um ovo de avestruz, em louças e bandejas. Muitas pessoas chegam aqui e me pedem para desenhar determinadas paisagens e lugares específicos. Eu tento, se dá certo ou não, só depois para saber" disse. Até mesmo lembrancinha de casamento o artista já fez. "Fiz 300 mini-azulejos com paisagens diferentes e o nome dos noivos, ficou muito legal", diz Mauro, que tem seu trabalho reconhecido também por estrangeiros. "Eles são os que mais compram nas praias. Levam para a família inteira, já vendi para japoneses, italianos, portugueses e americanos". O artista também é convidado a ensinar e só não deu aula até hoje por falta de local. "Muitos me perguntam se eu não posso dar um curso de pintura em azulejos. Eu falo que gostaria; se reunir mais interessados, arranjar um espaço, eu ensino com o maior prazer". Mas Mauro já teve seu primeiro aprendiz: um menino de dez anos. "Ele chegou aqui interessado, sentou do meu lado e eu lhe ensinei. Passou uns dias, ele veio aqui e me disse que tinha conseguido fazer dois azulejos e ainda vendido para seus parentes. Isso me deixou muito feliz", conclui o artista. SERVIÇOS Para quem quiser adquirir um azulejo ou conhecer o artista: Mauro costuma ficar no calçadão do Centro, na Voluntários da Franca. Seu telefone é (16) 9154-3070

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