Vítimas de derrame cerebral, deitadas em uma cama, sem andar e usando fraldas, sem comer direito e dependendo da ajuda de familiares para qualquer movimento. Esse é o drama vivido pela aposentada Ernestina Francisca, 80, e sua filha Elizabete Ferreira Nascimento, 47. Ambas moram em um casebre no Jardim Santa Bárbara e só contam com o apoio de Walter Ferreira, filho de Ernestina, e sua mulher, Maria de Fátima Ferreira, que também dividem a casa.
Walter está desempregado e passa o dia procurando bicos pela cidade. Maria de Fátima, como precisa cuidar das duas senhoras, não consegue trabalhar. Sem terem o que comer (sobrevivem de doações esporádicas), com a água cortada e a casa com pedido de despejo, Maria pede socorro. "Estou desesperada. Não agüento mais viver assim. Estou cuidando das duas e tenho medo que elas morram aqui".
Por conta das dificuldades, a aposentada Ernestina não se alimenta como deveria e hoje pesa 47 quilos. Vítima de três derrames, ela toma medicamentos para hipertensão, não fala direito e não se locomove sozinha. Como a família não dispõe de cadeira de rodas e de banho, Ernestina passa o dia deitada e, para o banho, utiliza uma cadeira velha.
Para piorar a situação, há oito meses, as atenções, que eram voltadas apenas para Ernestina, ficaram divididas. Elizabete Ferreira também sofreu derrame e passou a depender dos mesmos cuidados que sua mãe. Ela é casada, mas não pode contar com ajuda do marido porque ele sofre de diabetes e teve uma das pernas amputada. Por conta disso, ele vive sob os cuidados de parentes, em outro local. Restou a Maria de Fátima e seu marido tomarem conta das duas. "É tudo muito difícil. Fazemos o que dá, mas a situação é terrível".
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Elizabete tem dois filhos em São Paulo que poderiam cuidar dela. "O problema é que não temos dinheiro para as passagens até lá e eles também não têm recursos para vir aqui". Maria de Fátima disse que o ideal seria poder contar com a ajuda de alguma enfermeira ou profissional do ramo. "Não gostaria de levá-las para um asilo. São minhas parentes e acho que tenho obrigação de cuidar delas. O máximo que faria seria levar Elizabete para os filhos".
No início da tarde de ontem, parte dos problemas de Maria de Fátima foi resolvida. Ao saber do caso, um empresário do ramo calçadista decidiu ajudar e pagar as passagens da viagem para São Paulo. Ontem mesmo, Elizabete embarcou para a capital com seu irmão. "Agora ficamos apenas com a dona Ernestina. Vamos cuidar dela, mas ainda assim preciso de ajuda. Não tenho roupas de cama, os colchões estão em pedaços", disse Maria.
A família, por desconhecer os serviços sociais, não chegou a procurar a Assistência Social da Prefeitura. Procurado pelo Comércio, o secretário da pasta, Roberto Nunes Rocha, disse que vai encaminhar uma assistente social até a casa. "Vamos ver o que é possível fazer". Para quem quiser ajudar a família o endereço é: Rua Ivete Vitoriano de Paula, 2292.
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