Férias na rua


| Tempo de leitura: 2 min
De férias escolares, sem opções de projetos sociais e com áreas públicas de lazer reduzidas, crianças da periferia de Franca, como do Jardim Aeroporto, se divertem na rua. No improviso, eles brincam de bolinha de
De férias escolares, sem opções de projetos sociais e com áreas públicas de lazer reduzidas, crianças da periferia de Franca, como do Jardim Aeroporto, se divertem na rua. No improviso, eles brincam de bolinha de
O chinelo vira trave. O cabo de vassoura, taco do betia. O poste de energia elétrica se transforma em suporte para o elástico ou aro de basquete e as tábuas de madeira e os desníveis das calçadas acabam como rampas para as bicicletas. Durante o recesso escolar, esse tem sido o principal cenário nas ruas da periferia de Franca. Com poucas condições financeiras e sem áreas de lazer, o asfalto e os terrenos baldios são as únicas alternativas para a diversão da garotada. Pelo terceiro ano consecutivo, a Prefeitura não programou nenhuma atividade para o período. O programa "Viva Parque", no Parque de Exposições "Fernando Costa", que poderia ser uma opção, também está de férias e só retorna em fevereiro. Com todas essas ausências, basta uma volta na zona sul da cidade, na região do Jardim Aeroporto e adjacências, para ver ruas "entupidas" de crianças e brincadeiras simples, como soltar pipa, elástico e bolinha de gude. Nessas regiões, não há praças, quadras ou um projeto público que possa ocupar o tempo ocioso de meninos como João Paulo Ferreira Martins e Willian Donizette Felipe, ambos com 8 anos. "Todo dia eu saio na rua para brincar. Sinto falta de uma quadra", disse Martins. Segundo a secretária de Educação de Franca, Leila Haddad, a administração não programou nada para o recesso escolar 2007, mas há projetos em estudos em relação ao próximo ano. "Por enquanto não temos projeto de abrir as escolas municipais nas férias para as crianças", afirma. Já o Programa Escola da Família, que abre as escolas públicas estaduais nos fins de semana para a comunidade, também está em recesso e, para piorar, a partir desse ano, será reduzido em mais de 50%. Em Franca, do total de 50 escolas, o programa só permanecerá em 15 delas. [FOTO2] Para a mãe desempregada Tânia Aparecida Ferreira Vaz, estar nas ruas, mesmo com atividades sadias, expõe as crianças a muitos riscos. "Com uma escola, uma quadra ou parquinho, a gente ficaria mais tranqüila. Como estou sem trabalho, me colocaria até como voluntária para cuidar das crianças". Reginaldo Ferreira Moreira Borges, líder comunitário dos Jardins Aeroporto III e Santa Bárbara, chegou a procurar órgãos públicos para reverter a situação, mas não obteve respostas. "O jeito é esperar, as poucas opções que temos são distantes e muitas vezes não acessíveis". Enquanto isso, mães como Simone Cristina da Silva vão para o trabalho com o pensamento nos filhos. "Preciso trabalhar e não tenho onde deixar as crianças, por isso, acabam na rua. Vou com o coração na mão". IMPROVISO Longe da escola, com poucas opções dentro de casa e sem brinquedos eletrônicos, as crianças dessas regiões improvisam as brincadeiras. Joice Campos e Monique Coimbra, 10, usam um poste com apoio para "pular" elástico. Os meninos, entre um carro e outro, fazem da rua um campo de futebol. "Queríamos uma quadra ou uma praça para brincar até a volta das aulas", reclama Willian Donizette.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários