Queremos ação já!


| Tempo de leitura: 3 min
O governador Sérgio Cabral, do Rio, deu o primeiro passo na dura marcha que o Estado tem de realizar contra o crime organizado e as diferentes facções que fragilizam a segurança pública. Oxalá receba o apoio esperado da área federal e dos Estados vizinhos. A retomada do poder usurpado é a garantia da saúde social do Rio e do País. A autoridade tem de readquirir o respeito nos morros, favelas e periferias, bem como a confiança do povo. Com a ocupação da área visada por tropas das Forças Armadas, bloqueando as vias de acesso e pontos vulneráveis, as polícias estaduais terão melhores condições logísticas, de buscar os criminosos e colocá-los nos devidos lugares. Até agora as polícias tiveram de ocupar a região conflagrada fazendo a própria segurança para, só depois, fazer o seu trabalho. Se as forças federais especialmente as Forças Armadas, com seu formidável poder bélico fizerem a ocupação, caberá aos policiais apenas o seu trabalho específico de ir ao criminoso e desalojá-lo de seu ponto de atuação. Essa ação conjunta terá como principal resultado cessar o lucro fácil proporcionado pelo crime e, com isso, desmontar os esquemas até agora tolerados. Outra coisa: operando com tropas de diferentes origens, a chamada banda podre de que tanto tem se falado estará, automaticamente, isolada. O caos vivido nos últimos dias no Rio e Espírito Santo, também sofrido por São Paulo meses atrás, é o resultado de anos e anos de desídia e hipocrisia dos governos e de falsos arautos dos direitos humanos, muitos deles incrustados nos próprios órgãos governamentais e de segurança. A autoridade tem o dever de se impor, restabelecendo a ordem perdida, e fazer cumprir as leis, sem subterfúgios nem abrandamentos. Há que se tratar de forma justa e humana quem delinqüiu, mas não se esquecer de suas vítimas, que, direta ou indiretamente, somos todos nós. Toda vez que se dá mordomias e facilidades aos apenados, ofende-se sua vítima e o conceito de sociedade e liberdades públicas. Soltar quem deveria estar preso é expor a riscos e desmerecer aqueles que têm a liberdade por direito adquirido na retidão de caráter e comportamento. Exacerbar os direitos humanos dos criminosos é incentivá-los a continuar no crime e subvalorizar o cidadão comum. O projetado Gabinete de Gestão Integrada da Segurança Pública pensado pelos governos de São Paulo, Rio, Minas e Espírito Santo tem de sair do papel. Que os governadores tenham a mesma agilidade do carioca. Em vez da anunciada reunião mensal do tal gabinete, que se crie um organismo profissional e permanente, integrado pelos quatro Estados, para trabalhar todos os dias e até dia-e-noite. Só assim se conseguirá combater o crime. A exceção do governador do Rio, até agora só vimos discursos. Queremos ação! E, para isso, contamos com a firme atuação da imprensa o nosso "quarto poder" - para fiscalizar e denunciar, não permitindo que esta operação se transforme num mero discurso de posse e a sociedade seja, mais uma vez, enganada. TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (APOMI)

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários