O primeiro prêmio da Mega-Sena em 2007 acumulou em R$ 50 milhões. Não é preciso saber matemática para concluir que esse dinheiro daria para fazer muita coisa na área social. Mas, quando se fala em investimento social, muitas pessoas pensam em doar dinheiro para custear gastos como educação, saúde, assistência social, habitação popular, etc, a fundo perdido (ou seja, o dinheiro não volta). A contrapartida desse investimento a fundo perdido é um benefício que alguns indivíduos recebem.
A hipótese, aqui, é que a sociedade como um todo vai ganhar se houver menos miséria. Mais acesso à saúde, educação e moradia reduz a criminalidade e a violência, por exemplo. Isso funciona? Sim, mas essa não é a maneira mais eficiente. Franca é um bom exemplo de iniciativas individuais. Empresas e pessoas físicas costumam pagar a educação das crianças pobres do bairro ou distribuir comida na periferia. São atitudes louváveis. Porém, apesar das boas intenções, são insuficientes porque atingem poucas pessoas. É quase como carregar água na peneira.
A boa vontade e as boas intenções individuais são necessárias, mas não suficientes. Lidar com a miséria é algo que requer conhecimento técnico e profissional, trabalho de especialistas, estratégia, planejamento, avaliação de desempenho, dedicação e constância.
Uma solução de fato requer a ação do poder público, ou de organizações como a Santa Casa, por exemplo, que fornece (ou deveria fornecer) gratuitamente atendimento médico de qua
lidade.
Por isso, o verdadeiro investimento social é garantir que a fortuna que pagamos em impostos todos os dias seja usada corretamente. Ou seja, investir no social é perturbar o deputado federal, o deputado estadual e o vereador nos quais votamos, para que eles trabalhem direito. Outro investimento social importante é ser intolerante quanto à corrupção.
Nada disso nos impede de continuar ajudando quem precisa. Mas, com certeza, se cada um cobrasse mais pelos impostos que paga, o retorno seria muito maior que qualquer valor acumulado da Mega-Sena.
ALEXANDRE TABAH é sócio-diretor do Shopping do Calçado de Franca, da Alta Publicidade e Marketing e Presidente da Associação dos Moradores dos Bairros Recanto Fortuna e Jardim Monte Carlo
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