O uso dos telefones da Câmara Municipal de Franca passará a ser controlado por meio de senhas. Reunião do presidente Joaquim Ribeiro (PSB) com técnicos da empresa que presta assessoria telefônica à Câmara, que também contou com a presença do vice-presidente Marcelo Valim (PSDB), definiu que os aparelhos de acompanhamento começam a ser instalados a partir de hoje. A medida foi tomada um dia depois do Comércio publicar o escândalo do disque-sexo. O jornal revelou que um processo interno do Legislativo apura gastos da Câmara que superam a marca de R$ 960 com mais de 200 telefonemas para o celular de uma suposta garota de programa de Divinópolis (MG) de janeiro a março de 2006. Doze dos 56 ramais do Legislativo teriam sido usados para falar com a prostituta.
A senha individual possibilitará o controle sobre o autor de cada chamada, o que não ocorria até ontem. Apesar de cada pessoa ter seu próprio aparelho telefônico, pelo menos dez vereadores e cinco funcionários consultados confirmaram que não era possível controlar o uso de cada ramal. "Os vereadores circulam, aí um acaba usando o telefone do outro. Eu mesmo já liguei de outros ramais que não o meu", disse o vereador Mauricio Chinaglia (PSB). "A pessoa se movimenta muito pelo prédio e utiliza ramais variados", disse o petista Gilson Pelizaro.
Os relatórios anexados ao processo que investiga as ligações para o celular de Divinópolis apontam que as chamadas teriam partido de várias salas. Em vez de quatro ramais de vereadores, uma listagem da CTBC aponta que seriam cinco os gabinetes envolvidos. Ontem, técnicos da companhia telefônica confirmaram que é possível realizar chamadas de um ramal da Câmara, transferi-las para outro e permanecer falando normalmente. Os técnicos disseram ainda que há atraso de um dia no registro de ligações pelo PABX da Câmara, o que explica o fato de alguns telefonemas terem sido registrados em domingos. O computador que abriga o PABX será trocado.
NA JUSTIÇA
Durante todo o dia, o celular da suposta garota de programa, pré-pago, da empresa Claro e sem proprietário registrado permaneceu na caixa postal. Sem conseguir descobrir quem é o do dono da linha, o presidente da Câmara promete adotar medidas judiciais para desfazer o mistério. Joaquim aguarda relatórios detalhados da companhia telefônica para buscar a ajuda da Justiça. "Estamos consultando o Departamento Jurídico, vamos procurar orientações no Ministério Público, se for preciso vamos até contratar um advogado particular, mas descobriremos o que há por trás disso de todo jeito", disse. O vereador planeja acionar a Claro para ter acesso aos dados cadastrais da empresa e chegar ao nome do proprietário do telefone.
Para os vereadores, o caso do disque-sexo não é motivo para a abertura de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito). "O que tem que ser feito é uma investigação da direção, que já vem ocorrendo", disse Marcelo Caleiro (PMDB). "Tem que ser apurado de maneira firme, mas não pelos parlamentares e sim pela direção", afirmou Silas Cuba (PT).
O líder do governo Jepy Pereira (PSDB) foi outro a defender uma apuração rígida no caso do disque-sexo, no entanto restrita à administração da Câmara.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.