Um cenário inusitado instigou a curiosidade e despertou medo nas pessoas que passaram por uma estrada de terra localizada aos fundos do Jardim do Éden, zona leste de Franca. Corações bovinos amarrados com fitas, trancados por cadeados e colocados em tigelas com sangue; garrafas de cerveja e champanhe, rosas e velas coloridas. Tudo disposto sobre uma toalha vermelha no meio de uma das pistas de terra.
O local fica em um condomínio de chácaras e é usado por moradores da região como passagem para a cidade. Aparecida Cândida Cintra, comerciante que trabalha próximo a estradinha onde foram feitos os trabalhos, ficou sabendo do ocorrido por meio de clientes que estavam em sua mercearia. "É a primeira vez que fico sabendo que isso aconteceu por aqui. Mas não me assusto com isso, pois Deus está sempre comigo", disse, revelando, no entanto, que preferiu não ir ver do que se tratava os comentários.
Outra moradora do bairro ficou assustada e não quis dar declarações. "Pertenço à Congregação Cristã do Brasil e não falo sobre essas coisas não".
O morador de uma das chácaras que também pediu para não ser identificado disse que passou pelo local na noite de terça-feira e viu várias pessoas vestidas de branco, que oravam e cantavam. "É comum encontrar resquícios de trabalhos religiosos no local, mas desta vez a grande quantidade de corações bovinos chamou a atenção. Me assustei mesmo".
DESVENDANDO O MISTÉRIO
Proprietário de uma loja de artigos religiosos no Centro de Franca e um dos estudiosos das práticas umbandistas, Amaro Olímpio da Silva disse que os elementos deixados na estradinha no Jardim do Éden apontam para uma oferenda típica da Umbanda (religião africana que acredita em entidades com poderes). "Este tipo de trabalho serve para atrair a pessoa amada para junto de quem o fez ou libertar esta pessoa de um amor antigo".
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Para ele, as oferendas teriam a função de agradar duas entidades da religião umbandista: Exú e Pombagira, que segundo as crenças da religião, realizam os desejos de quem lhes agrada. "Exú e Pombagira gostam de receber oferendas de qualidade, e quem faz o trabalho com artigos de procedência duvidosa pode não alcançar seus objetivos".
Amaro lembra que, para os umbandistas, quando alguma pessoa se deparar com algum tipo de trabalho não deve mexer nos artigos. "Deve-se respeitar a fé de cada um. Tenho certeza que um católico não gostaria de ver a imagem de um santo sendo destruída. Esse respeito deve se estender a todas as religiões.
Além disso, pode irritar as entidades e trazer azar".
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