A dona de casa Sandra Regina Gonçalves, 30, continua morando num barraco de madeira no Jardim Cambuí. Os dois pequenos cômodos do local servem de moradia para ela, o marido e cinco de seus oito filhos. Energia elétrica e água ainda não chegaram ao local. Faz mais de três anos que eles vivem à luz de velas e com água de mina. No ano passado, a família aumentou. Sandra ficou grávida e teve a oitava filha em outubro. Apesar da preocupação com mais uma vida para cuidar, a dona de casa não se desesperou, pois continuou amparada pela comunidade e também conseguiu emprego.
Desde que suas condições foram contadas no jornal, os moradores recebem doações. Prova do apoio foram as contribuições entregues no Natal de 2006. Sandra, que anos atrás precisou dos parentes para ter o que comer no Natal, pôde contribuir com a refeição de seus familiares desta vez. Ela diz ter perdido a conta de quantas cestas básicas foram levadas para sua família, mas pôde dar mantimentos para sua mãe e outras pessoas com necessidades. “Não cabia aqui em casa tudo que ganhamos. Acho que o que ficou ainda vai dar para comermos por mais uns três meses”, disse.
Outra vitória vivida nos últimos meses foi o fato de que a dona de casa pôde sentir o gostinho de receber um salário após anos desempregada. Ela foi uma das contratadas para a última colheita nas lavouras de café. Na primeira entrevista dada à reportagem, em outubro de 2005, ela nem se lembrava da última vez que conseguira emprego. “Estava grávida, mas arrumei serviço mesmo assim. O dinheiro ajudou a tratar das crianças.”
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O único pesar de Sandra é pela casa própria não ter “chegado” no ano passado, como prometido. Depois da reportagem do Comércio, há cerca de um ano e meio, a Prefeitura inseriu a família do Jardim Cambuí no programa de habitação em parceria com a ONG Habitat para a Humanidade. O processo apresentou problemas e o sonho de ter uma casa digna para morar com os filhos continua adiado. A promessa é construir os imóveis em 2007. Sandra está esperançosa e já disse que passará os próximos trezentos e tantos dias torcendo para se mudar e passar a viver num lar maior, com luz e água encanada. “É meu maior sonho.” Enquanto isso, seu endereço continuará sendo Avenida Angelina Stefani Cáceres, 1890.
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