Voluntários garantem a comida


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A dona de casa Marlene Marcelino da Silva, que mora na Vila Aparecida com os filhos, netos e bisnetos, recebe seis cestas básicas por mês para sustentar 11 pessoas
A dona de casa Marlene Marcelino da Silva, que mora na Vila Aparecida com os filhos, netos e bisnetos, recebe seis cestas básicas por mês para sustentar 11 pessoas
Marlene Marcelino da Silva, 58, dona de casa, disse que “as coisas ficaram mais fáceis em 2006” para sua família. No ano passado, mais pessoas passaram a contribuir com a alimentação deles, ela foi inserida no programa Bolsa Família e a pequena casa onde residem, na Vila Aparecida, está com menos moradores. Hoje, ela cuida de dez pessoas, entre soropositivos e uma pessoa com câncer. Foram mudanças pequenas, mas suficientes o bastante para tranqüilizar Marlene. Os moradores ganham seis cestas básicas todos os meses. “São bem reforçadas”, disse ela, que recebe mantimentos, produtos de limpeza, higiene, verduras, carne, leite, suplemento alimentar e brinquedos de associações, da igreja e pessoas da comunidade. “Agora tenho condições de cuidar bem dos meus netinhos. Estamos comendo melhor.” [FOTO2] Além da ajuda ser maior, menos pessoas dependem dela para sobreviverem. Quando o Comércio entrevistou dona Marlene pela primeira vez, em maio de 2005, 17 pessoas moravam na casa (nove soropositivas). A dona de casa disse que o imóvel chegou a abrigar 21 pessoas. Hoje, 11 (dois adultos e nove crianças) vivem na Rua Pernambuco, 1000. Uma das filhas dela se internou numa clínica para alcoolismo. Tratado o vício, voltou para Franca, deixou a casa da mãe para morar com familiares no Jardim Aeroporto, há três meses. Outra filha foi para a Fazenda Boa Sorte com os filhos. “Elas só ficam aqui durante as férias. Aliviou um pouco para nós. Era muita gente para comer e tinha dia que não dávamos conta”, disse Marlene. Todos os soropositivos estão em tratamento contra a doença. Ninguém está empregado na casa, mas a renda familiar conta com um pequeno fôlego desde o ano passado. A dona de casa foi inserida em um programa de renda do governo e começou a receber R$ 95 do Bolsa Família. O dinheiro complementa o auxílio-saúde de R$ 350 do marido, o pedreiro Carlos da Silva, 59, e os R$ 80 que ela consegue por mês costurando capinhas de CD. Hoje, com condições de dar alimentos aos filhos, netos e bisnetos, o único pedido de Marlene é pela saúde do marido. Carlos da Silva tem câncer na próstata e, com o agravamento da doença, não consegue mais andar. Desde agosto do ano passado, depende de uma cadeira de rodas emprestada para se locomover. “Quero que ele sare.”

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