Cenários


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Os grandes estrategistas sabem que desenvolver cenários é a maneira mais inteligente de planejar o futuro de forma coerente. Considerando-se as mudanças, tantos fáticas quanto conceituais, projeta-se o panorama que se deseja. Assim, desenvolver histórias de cenários sobre múltiplos futuros prováveis resolve dilemas, a partir dos quais se criam os fundamentos para poderosas estratégias. Cenários são, portanto, ferramentas que ordenam nossa percepção sobre ambientes futuros alternativos, nos quais as decisões tomadas no presente irão ter seu desenrolar. Um projeto do tipo, o "Brasil Três Tempos (2007, 2015 e 2022)" foi apresentado oficialmente em 2004 pelo ministro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Jacques Wagner, com organização do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) e da Secretaria de Comunicação do Governo e Gestão Estratégica. Surgiu com a proposta de delinear trajetórias para o país atingir o desenvolvimento econômico e social de forma sustentada e democrática nos próximos vinte anos. Abrange ao todo sete dimensões estratégicas: institucional, econômica, territorial, sociocultural, do conhecimento, ambiental e global. Não foi por acaso que 2007 foi o ano escolhido para o início da implementação do projeto, pois neste ano se dá o início de um novo governo. Os outros também são estratégicos: 2015 é o ano escolhido pelas Nações Unidas (ONU) para que os países atinjam os objetivos do milênio e, 2022, o ano previsto para o ápice, é aquele em que o Brasil completa 200 anivsersários de sua Independência. Por meio deste projeto, procura-se desenhar um cenário de desenvolvimento e também de rompimento de paradigmas que sempre acompanharam os tomadores de decisões na política brasileira à falta de planejamento que envolve as questões fundamentais da nação. Para não mencionar apenas questões pontuais de planejamento estratégico, reduzindo para uma única região, o que, no mundo globalizado é praticamente impossível, importa destacar um livro que aborda o tema em apreço, de forma não determinista ou profética, porém interpreta a globalização como uma `megatendência`, onde os analistas desenham cenários do sistema internacional, de hoje até 2020, em quatro prováveis panoramas políticos: o Mundo de Davos, a Pax Americana, um Novo Califado e o Ciclo do Medo. Trata-se da obra `O Relatório da CIA`, que ilustra com maestria a capacidade de planejamento estratégico do governo americano. Não se pode, contudo, afagar ilusões quanto a uma abordagem doutrinária ou ideológica da obra, que muitas vezes traz a marca do sonho americano de `mandar no mundo para sempre`, mas aponta para um futuro onde, sem mencionar os desastres naturais provocados pela ação do homem, na busca de energia para suprir a demanda da produção de bens e serviços vê China, a Índia e mesmo o Brasil, como candidatos a potências mundiais. Dessa forma, tem-se como axioma que o futuro não é algo incerto, mas algo que se constrói de acordo com as ferramentas de que se dispõe no presente. Acompanhar o "BrasilTrês Tempos" de Wagner é, no mínimo, obrigação de todos nós, cidadãos. E, da parte de quem decide, fazer acontecer. NADIR APARECIDA CABRAL BERNARDINO é advogada formada pela FDF, pós-graduada em Direito Ambiental e Política e Estratégia.

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