A falta de desenvolvimento cultural da nossa sociedade, principalmente nas camadas mais pobres, tem dificultado e em muito a aplicação de lógica aceitável para a segurança e progressão da criança e do adolescente. Em Franca principalmente tem sido muito difícil fazer certos debates como exemplo o do uso de mão-de-obra infantil, o que não deixa de ser um tipo de violência. Por outro lado tem a conivência das instituições, as quais deveriam zelar pelo bem-estar destes pequenos. Acredito que o promotor Augusto Soares de Arruda Neto, que representa a Curadoria da Infância e Juventude, tem sido cientificado do que acontece em Franca. Aqui, altas horas, existem garotos com uma caixa de engraxar em lanchonetes, inclusive freqüentadas por autoridades. Muitos não têm mais de 10 anos de idade. Uma igreja evangélica que não vou citar o nome, coloca garotos para vender balas e bombons com o objetivo de angariar dinheiro para, segundo eles, uma dita fogueira santa. Disto sabem o promotor e o juiz José Rodrigues Arimatéa (Juiz da Infância e Juventude)? No terminal de ônibus, onde eu pego o último horário (23h45), muitas vezes sou abordado ora por um menino, ora por uma menina, que me oferecem bombons. Será que disto também não sabem as excelências citadas? Os vereadores que freqüentam o bar que vende peixe na Rua Santos Pereira sabem destes descalabros que relatei. A violência contra a criança a praticamos todos nós, a sociedade organizada, o que vereador que foi eleito e finge que não vê, o senhor magistrado que ouviu mas não foi provocado judicialmente, o promotor que sabe mas evita o assunto porque é polêmico, o vizinho que ouviu o grito de desespero de uma pequena vítima e nada fez porque não é da sua conta. Não adianta detenção para os agressores, pois eles são os próprios pais. Se for preso, a criança será agredida novamente, pois ficará sem referência nenhuma. Multar? Não me façam rir. A maioria não tem emprego e nem dinheiro para comprar cachaça quanto mais pagar multas. As crianças são vítimas de nossa sociedade omissa. É isso que somos. A sociedade francana é omissa, com autoridades omissas, com homens e mulheres omissos. E que Deus se apiede destes pequenininhos.
Ademir da Rosa
é leitor do Comércio da Franca
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