A Polícia Civil de Franca concluiu ontem a investigação sobre a morte de Gilmar Vilela, 24, ocorrida em agosto de 2006. A vítima foi encontrada em um cafezal com sinais de espancamento e ferimentos no peito provocados por faca. Quatro pessoas confessaram participação no linchamento. O mentor intelectual e responsável direto pelo crime foi Maike Luiz da Silva, 22, filho da doméstica ZMS, 38. Ele disse ter matado por vingança.
Gilmar Vilela era o principal suspeito de ter assassinado o industrial Francisco de Assis Tótoli, 63, e estuprado a doméstica ZMS, na madrugada do dia 12 de agosto, um sábado. Por causa do suposto crime sexual, foi espancado e morto.
Após ouvir testemunhas, os investigadores da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) descobriram que quatro jovens teriam cometido o assassinato. Todos são moradores do Jardim Paulista, bairro em que mora a doméstica ZMS. No ano passado, eles chegaram a prestar depoimento, mas negaram participação no crime.
Na semana passada, os policiais reuniram mais provas, como marcas de sangue no porta-malas do carro de um dos envolvidos, e pediram a prisão preventiva deles. Com medo de serem presos, se apresentaram e confessaram a autoria.
Na tarde de ontem, voltaram ao local do crime e mostram à polícia como mataram Gilmar Vilela. A reconstituição teve três etapas distintas. Primeiro, foi encenada a rendição da vítima na Rua Sabará, Jardim Brasilândia. No local, o rapaz foi agarrado pelos algozes, agredido e colocado no interior de um Chevett branco. Dentro do carro, teve o pescoço amarrado por um cadarço e foi esfaqueado por Maike.
Do Brasilândia, seguiram para o Jardim Petráglia. Em uma rua situada atrás do Cemitério Santo Agostinho, retiraram Gilmar Vilela do carro e o trancaram no porta-malas. Depois, foram até um cafezal nas margens da Rodovia Felipe Calixto, que liga Franca a Ribeirão Corrente.
Lá, Maike acabou de matar a vítima com diversos golpes de faca no peito. "Ele disse que estava muito nervoso no dia dos fatos e que matou para vingar o abuso sofrido pela mãe. A reconstituição eliminou as dúvidas existentes e esclareceu a participação de cada um. O Maike foi indiciado por homicídio, enquanto os outros três envolvidos responderão por co-autoria", afirmou o delegado da equipe de homicídios da DIG, Márcio Garcia Murari.
A Policial Civil enviará o inquérito ao Fórum dentro de 15 dias para apreciação da Justiça. Como não foram detidos em flagrante, os envolvidos deverão responder o processo em liberdade.
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