Câmara ligou mais de 200 vezes para prostituta


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O novo presidente da Câmara Municipal, Joaquim Ribeiro, mal iniciou seu mandato e já tem com o que se preocupar: “Vamos apurar tudo”
O novo presidente da Câmara Municipal, Joaquim Ribeiro, mal iniciou seu mandato e já tem com o que se preocupar: “Vamos apurar tudo”
Vereadores e funcionários podem ter usado os telefones da Câmara Municipal para falar com uma prostituta. Processo interno do Legislativo investiga 203 chamadas com origem em diferentes ramais da Câmara, inclusive das salas de quatro parlamentares, para um número de telefone celular da cidade mineira de Divinópolis. No total, são mais de R$ 960 em telefonemas registrados de janeiro a setembro de 2006. O PABX da Câmara possui 56 ramais. Doze deles registraram telefonemas para o celular. O ramal da Divisão de Comunicação concentra mais de 90% das ligações, mas também há chamadas provenientes de ramais do Departamento Financeiro, do Departamento Legislativo, das recepções do térreo e primeiro andar e dos gabinetes dos parlamentares. Há chamadas com mais de 18 minutos de duração. Somente na conta de setembro, foram gastos exatos R$ 316,52 em conversas com o mesmo número. O alto valor provocou o início das investigações. A direção da Câmara tentou entrar em contato com o dono do celular, mas não conseguiu. Uma funcionária da CTBC também fez chamadas para o número. Uma mulher atendeu. De maneira desconfiada, ela evitou fornecer informações. “Não revelo o nome de meus clientes e nem das pessoas com quem converso”, teria dito, segundo o processo. O Comércio também ligou repetidas vezes para o mesmo número ontem. Todas as chamadas caíram na caixa postal. A reportagem conseguiu apurar apenas que o número é mesmo de um celular pré-pago da empresa Claro e sem proprietário registrado. Apesar de não estar confirmado quem seria o dono do celular, nos bastidores da Câmara, não há dúvidas de que se trata de uma garota de programa. Pelo menos dez pessoas ligadas ao Legislativo, contatadas ontem pela reportagem, trataram do assunto sem negar a hipótese. O PROCESSO No dia 23 de setembro, um processo foi aberto pelo ex-presidente Marcelo Mambrini (PMN). Foram solicitados esclarecimentos da funcionária que trabalha com o ramal da Divisão de Comunicação, o que realizou o maior número de ligações. Em defesa anexada ao procedimento, ela negou qualquer envolvimento com o caso. Até ontem, a investigação estava sob o poder do ex-diretor-geral, Afonso Teodoro de Souza Filho, em férias e com retorno previsto para o próximo dia 20. Ainda assim, o novo presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro (PSB), tomou conhecimento do caso por meio de uma xerocópia apresentada por um outro funcionário e iniciou suas próprias apurações imediatamente. Em reunião com técnicos da CTBC, o vereador solicitou esclarecimentos da empresa. Oficialmente, os funcionários demorarão cinco dias para responder às perguntas de Joaquim. “A população pode ter certeza de que isso não ficará assim. Vamos apurar tudo até as últimas conseqüências. Vamos aguardar para poder falar com dados concretos em mãos”, disse o presidente. No entanto, fontes confiáveis presentes na reunião garantem que os profissionais já anteciparam algumas certezas. O relatório da Câmara ainda sugeria que algumas ligações foram feitas à noite e aos domingos, mas os técnicos da CTBC identificaram um atraso de até 24 horas no registro dos horários de algumas das chamadas e garantiram que todas elas foram realizadas durante o expediente do Legislativo. Os funcionários afastaram categoricamente qualquer hipótese de clonagem da linha, que chegou a ser levantada por alguns vereadores. Além disso, admitiram a hipótese de o sistema registrar chamadas provenientes de um ramal como sendo de outro. Isso quer dizer que uma mesma pessoa pode ter usado linhas de outros gabinetes para realizar as ligações sem sair de sua própria sala.

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