Prejuízo na feira


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As chuvas das últimas semanas não têm prejudicado somente quem mora em bairros sem asfalto, próximos de rios, encostas ou buracões. Nesse início de ano, o alto índice pluviométrico começou também a mexer com o bolso dos consumidores. O excesso de chuva que ocorre em Franca e região diminui a oferta de hortifrútis e faz o preço dobrar nas bancas das feiras, varejões e supermercados. Alguns produtos, como a couve-flor e a vagem (R$ 3,99 e R$ 4,10 o quilo), chegam a custar mais do que um quilo de costela bovina ou um pacote de dois quilos de feijão (R$ 3,45 e R$ 3,98, respectivamente). Em casos como o do chuchu, que custava R$ 0,69, o aumento foi de 110%. Segundo os produtores rurais, as chuvas, além de causar quebra de safra e prejudicar a qualidade dos alimentos, dificultam a colheita e o transporte dos produtos para a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo). “Você percebe a diferença nos boxes: a oferta de produtos nessa época diminui até 40%. Com menos produtos, o preço sobe e atinge o bolso da dona de casa”, disse o gerente operacional da Ceagesp de Franca, Giovani Dominici. Legumes como quiabo, pepino, abobrinha, tomate e pimentão, ao lado das verduras, são sempre os mais sensíveis e a oferta menor de produto é refletida imediatamente nos preços. A exceção fica para os proprietários de hortas com estufas, que mantêm a produção e a qualidade das leguminosas e folhas. Nos varejões, apesar da forte elevação nos preços, o movimento não cai. Eurípedes Robinson Barbosa, proprietário do Varejão Cio da Terra, diz que os clientes mantêm as compras, porém diminuem a quantida-de e substituem os produtos mais caros por outros mais em conta. “As pessoas compram por necessidade, pois precisam comer, mas se tiver opção, elas fazem a troca de um produto por outro”. No Varejão Irmãos Patrocínio, a freqüência das donas de casa também é a mesma, porém produtos como vagem, chuchu, abobrinha e quiabo já começam a faltar nos balcões. “O preço subiu muito, a caixa da abobrinha custava R$ 12 e agora passou para R$ 30. O quilo da vagem, de R$ 1,90, precisou subir para R$ 3,90. Isso acontece porque estraga muita mercadoria”, revelou Carlos Roberto Patrocínio, sócio-proprietário. De acordo com ele, todos anos ocorre essa elevação, a qual começa a diminuir no mês de março, quando as chuvas passam a diminuir. HORTALIÇAS Para a dona de casa Maria Aparecida de Jesus, 63, o preço das hortaliças também assustou. “No último domingo, fui à feira comprar as mesmas verduras que compro sempre. No final, paguei pelo menos R$ 4,80 a mais”. Aparecida disse que, no caso da alface, o preço aumentou de R$ 1,90 para R$ 2,50. “Quando reclamei, ouvi do atendente que as chuvas deram prejuízos e muitas verduras foram desperdiçadas”. A sapateira Mariângela Soares, 32, foi outra que notou diferença nas hortaliças, mas não foi no preço e sim na qualidade do produto. “Vi que as alfaces estão amareladas e as abóboras verdes. As verduras sofreram muito com as chuvas”. Colaboraram Alex Arcanjoleto e Renata Modesto

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