Depois das festas de fim de ano, é hora de colocar os pés no chão, procurar a velha calculadora e se preparar para quitar todas as contas. Matrículas dos filhos, parcelas de compras de Natal, gastos com as viagens e as festas e a lista de materiais escolares. E ainda têm os impostos como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). A lista de dívidas parece não ter fim. Encontrar uma saída e conseguir quitar todos os débitos têm tirado o sono de muitos francanos.
A sapateira Andreza Cristina dos Santos, 22, faz parte desse grupo. Com um salário de R$ 460, ela acabou exagerando nos gastos de fim de ano e agora terá apenas R$ 215 no bolso para passar o restante do mês. "Saí de casa com a bolsa cheia de contas. No momento é o que eu mais tenho", reclama. Ela pagou aproximadamente R$ 245 de contas numa única lotérica. "Eu sempre tento controlar, mas acabo me empolgando, esquecendo de acompanhar os gastos e no final estouro o orçamento", disse. Agora ela está pagando o preço. "Não posso nem sonhar em comprar algo".
A cantora evangélica Eliana Cláudia Oliveira, 36, residente no City Petrópolis, vive um drama parecido. Só no mês de janeiro, ela tem R$ 1,7 mil a pagar. Para conseguir arcar com tudo, precisou recorrer a um empréstimo bancário. A família também já cortou gastos. "Depois do empréstimo, começamos a economizar e decidimos comprar apenas o necessário. Hoje em dia não compro mais nada a prazo, mesmo assim as contas são pesadas", disse.
Eliana mora com o marido e as duas filhas, de 5 e 11 anos. Uma delas, a mais velha, teve que deixar a escola particular, e neste ano terá, pela primeira vez, que estudar em escola estadual. "Os materiais escolares e as mensalidades somavam mais de R$ 500, agora economizei ao menos R$ 300. É duro, mas vai nos ajudar a economizar".
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