Em que pese o sofrimento da idosa Dalvina dos Santos Oliveira, que, além do útero exposto, está com infecção de urina, febre constante de 39º, anemia, catarata, problemas de coluna, é surda e tem 76 anos de idade, para a Santa Casa e para a Secretaria Municipal de Saúde não há nada errado na espera de 14 horas, no vaivém de uma unidade a outra e, pior, em não resolverem os problemas da paciente. Tudo isso, com o rigor previsto no Estatuto do Idoso em relação à priorização no atendimento a pessoas da terceira idade.
O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, que inclusive viu pessoalmente a situação de Dalvina dos Santos Oliveira na sexta-feira, disse que todo o procedimento ocorreu dentro da normalidade. Ontem, por e-mail, afirmou que o caso não é grave. “Os três médicos que a atenderam disseram a mesma coisa: cirurgia eletiva sem gravidade e que o processo inicial se deu há muito tempo até chegar no ponto que está”. Ferreira não deu previsão de quando a eletiva seria realizada.
O secretário negou que tenha acusado os familiares de querer “se livrar” dos cuidados com Dalvina tentando interná-la, como disse a nora da paciente. “Isto é um absurdo. Falei com o filho daquela senhora para que pudéssemos ver se algum paciente poderia passar o lugar para ela”, disse. “A nora foi embora e não levou os pedidos de exames pré-operatórios. Não entendi nada. Talvez porque recebeu oferta melhor de falar no rádio? Ou no jornal?”, disse.
Segundo o presidente da Santa Casa, Onofre de Paula Trajano, o procedimento adotado pelo hospital em relação a Dalvina foi investigado e não foram descobertos indícios de omissão. “Conversei com a diretora-técnica (Dora Pedigoni) e ela falou que o caso é complexo. Tem de se tomar uma série de medidas preventivas antes de operá-la.
E essas medidas cabem à Prefeitura realizar”. Para Trajano, a Santa Casa só poderia ajudar em relação aos outros problemas de saúde da idosa mas, ainda assim, mediante encaminhamento do PS. Enquanto isso, Dalvina continua sem atendimento e sentindo fortes dores.
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