Moradores que vivem próximos a voçorocas em Franca estão preocupados com mais uma temporada de chuvas neste verão. A cidade possui hoje 23 “buracões”. Destes, dez foram combatidos entre 2005 e 2006. A secretária de Obras e Serviços Municipais, Valéria Marson, promete “atacar” as outras 13 áreas neste ano, mas somente na época de estiagem.
Por enquanto, não há o que ser feito. Com as chuvas, a única medida adotada pela Prefeitura é o monitoramento dos pontos de erosão. Durante a semana, um técnico visita todas as voçorocas para avaliar a evolução dos buracos, a necessidade de intervenção emergencial e analisar como estão os serviços realizados nos anos passados. A previsão é continuar o programa de combate daqui a três meses, entre abril e setembro. “Todas apresentam riscos, mas nada extremamente perigoso. Começaremos as obras assim que o tempo permitir”, disse Valéria.
Uma das maiores voçorocas está localizada num terreno particular, próximo ao Hospital do Coração. O estrago no chão, que está há apenas 30 metros da Avenida Presidente Vargas, é assustador. A própria secretária se surpreendeu com o tamanho da erosão. “Parece mais um Canyon. Contatamos o dono do local e ele decidiu transformar o espaço em aterro de resíduos inertes.” O licenciamento para deposição de entulhos na área já foi solicitado às autoridades ambientais.
Outro ponto que preocupa autoridades e assusta populares é a “cratera” do Jardim Aeroporto III. O pedreiro Sebastião Rodrigues, 49, mora no bairro há 17 anos e acompanhou a evolução da voçoroca. “Aqui era plano. Agora está esse buracão desbarrancando. Ele vem ‘comendo’, ‘comendo’ o solo e se não desviarem a água da chuva, vai chegar nas casas logo, logo”, disse ele, que estima que o buraco esteja com 12 metros de profundidade. Na região Norte, a lavradora Joana do Nascimento, 73, é outra que sofre com o avanço de uma das voçorocas do City Petrópolis, próxima ao Colégio Agrícola. “Aqui era bom. A gente plantava milho, manga... Mas depois do asfalto, o buraco só cresce e já levou todas as árvores que plantamos. Sei que a próxima a cair pode ser nossa casa. Está tudo rachado”, disse ela, que reside no bairro desde 1990.
INVESTIMENTOS
Para combater sete voçorocas em 2006, a Prefeitura investiu R$ 257 mil. Os gastos com serviços em 12 pontos (exceto o Jardim Dermínio) neste ano serão de mais R$ 232 mil. Somados, os quase meio milhão de reais injetados nas obras seriam suficientes para construir 13 praças na cidade.
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