Vítimas podem se tornar agressores em potencial


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A agressão física e psicológica sofrida pelos menores, na maioria dos casos, deixa sequelas emocionais cuja gravidade depende da dimensão da agressão e do modo como cada criança reage a ela. Normalmente, as vítimas de maus-tratos ficam mais suscetíveis à depressão, tornam-se inseguras, com complexo de inferioridade, tímidas e perdem a confiança. A criança tende a transferir o sentimento que tinha pelo agressor para outras pessoas com as quais convive. A psicóloga da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Fabiana Zagolin, que atende vítimas de maus-tratos quando há investigação policial de agressão, disse que não se pode afirmar que a pessoa se tornará violenta quando crescer, mas há uma chance grande disso acontecer. “Quando as crianças apanham, sofrem queimaduras ou humilhações, têm grandes chances de se tornarem agressoras quando mais velhas, repetir o que viveram. Elas também costumam viver com a constante sensação de culpa, por terem lhes insinuado que sempre fizeram tudo errado na vida”, disse. Para evitar ou pelo menos amenizar os traumas, as vítimas necessitam de intenso apoio psicológico durante a infância. Segundo Fabiana, a atenção e o acompanhamento profissional aos agressores também é indispensável. “Eles precisam de orientação e tratamentos para recuperarem o equilíbrio emocional, especialmente hoje, já que as pessoas estão muito estressadas, esgotadas e depressivas, o que, às vezes, acaba sendo o estopim para a agressão.” POR QUÊ? Com a experiência na DDM, Fabiana percebeu que os principais motivos para os pais agredirem os filhos são a desestrutura familiar, dificuldades financeiras, desemprego e estresse. “A agravante é que acabam descontando seus problemas nos filhos, que são indefesos; muitas vezes bebês que nem falam ainda e não podem contar a violência que sofrem”, comentou a psicóloga.

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