O comerciante Airton Borges Lucas, 46, e a secretária Edna Malaspina Souza, 43, adoram dançar. Divertem-se, exercitam o corpo e, de quebra, ainda relaxam do stress do dia-a-dia. O casal se matriculou em uma escola de dança de salão há cerca de um ano e garante que não quer mais parar. A eles, juntam-se outras centenas de pessoas que se renderam aos encantos desse estilo de dança. Segundo alguns proprietários de escolas especializadas, o aumento do interesse pela dança de salão no último ano chegou a 50%. Uma única escola chega a ter 150 alunos.
Sem dúvida, um dos estopins para esse crescimento foi o quadro "Dança dos Famosos", exibido no ano passado no programa Domingão do Faustão, da tevê Globo. A exposição dessa modalidade de dança na mídia foi um impulso para as matrículas. "Na tevê, as pessoas viram que não é uma coisa impossível, que mesmo quem não sabe dançar pode começar. Desde que se tenha um bom professor, é claro", explica a professora Marlete Machado.
Se a televisão foi responsável por tornar o estilo mais popular e conhecido, o que leva as pessoas às escolas é a descoberta de que esse tipo de dança é um ótimo meio para a socialização e um caminho para perder a timidez. "É uma dança de fácil acesso, sem distinção de classe social, cor ou idade", explica o professor Deva Alves.
O casal Airton e Edna é um bom exemplo do que a dança de salão pode fazer pela pessoas. Eles sempre gostaram de dançar e resolveram investir em um curso. No começo, admite Airton, foi difícil lidar com a timidez de estar em um grupo novo, fazendo algo diferente. Hoje, pouco mais de um ano depois da primeira aula, eles têm na dança de salão uma das atividades mais prazerosas da semana. "Funciona como uma terapia. Traz benefícios físicos, mentais e de relacionamento. É impressionante como conhecemos pessoas, aumentamos o círculo de amizade. Mas, acima de tudo, é uma forma das pessoas se encontrarem consigo mesmas", disse.
Para a professora Marlete, os benefícios da dança de salão podem ser ainda maiores. "Há pessoas com depressão que começam a dançar e melhoram bastante. O importante é cada um estar em busca do seu objetivo".
O fato de sempre ser dançada em pares e de também exercitar os ouvidos, já que é preciso prestar muita atenção na música para não perder o passo, são alguns dos elementos que ajudam na socialização promovida pela dança de salão. "Tem uma coisa interessante também que é o fato da dança abrir portas sociais.
Como não há lugares específicos para se dançar em Franca, as pessoas combinam de ir para a casa de alguém ou em algum lugar fazer isso", conta Deva.
Outro exemplo de quem entrou para a dança de salão em busca de uma descontração que aliviasse as tensões do dia-a-dia foi o químico industrial Arnaldo Arruda, 46. "Hoje eu me sinto mais socializado. No começo eu tinha uma certa inibição. Agora, isso melhorou muito", disse.
OS RITMOS
Quem se interessar pela "terapia" da dança de salão vai aprender mais sobre vários ritmos. Segundo o professor Deva, em três meses é possível uma pessoa que não sabe dançar adquirir conhecimentos de pelo menos dois ritmos, normalmente forró e bolero, que são mais simples. Em um ano, o repertório aumenta para samba de gafieira, tango, salsa e lambada. Ao contrário do que muita gente pensa, Deva não acha que o tango é o ritmo mais difícil. "A salsa e lambada exigem muito mais", diz. "O mais difícil do Tango é interpretar a música porque o ritmo oscila muito", completa.
Uma das principais recomendações dos dois profissionais ouvidos pela reportagem é que as pessoas procurem escolas que tenham professores formados e experientes. "Isso é um diferencial importante", diz Marlete. "O professor é fundamental. É ele quem vai conduzir o aluno e pode ser responsável pelo prazer ou constrangimento durante a aula", diz Deva.
Os preços nas escolas de dança variam de R$ 35 a R$ 50.
Onde aprender: Companhia Francana de Dança de Salão - 3721-6954. Deva Dance - (16) 3025-6162
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