Sobre a execução de Saddam Hussein, vamos ser honestos, alguém ainda tem a inocência de acreditar que os homens têm conserto? Não dá, pois o que vemos é apenas um mesquinho jogo de interesses, de um lado aqueles que lutam para que o mundo seja mais justo e, de outro, os que não estão nem aí com as pessoas. O que buscam é tirar proveito das pessoas ingênuas e de boa-fé, incluindo-se aí religiosos ou quem passa por. É só abrir o jornal e ler diariamente os maiores absurdos. Apesar da religião pregar que no fim seremos recompensados, acho que a gente deve se antecipar e ficar mais esperto aqui na Terra mesmo, precavendo-se contra esses que, em nome da fé, vivem a espoliar os pobres mortais. Pelo nome de Cristo – o mais humilde e pobre dos Homens –, tenho visto alguns de carne e osso, usando trajes de última moda e antenado com as novidades importadas. Voltando a Saddam, classifico sua morte como uma grande covardia do ser humano. O inimigo estava abatido e prostrado mas, mesmo assim, se fez vingança. O que ficou claro é que a regra não é para todos. Embora sejam muitas as barbáries de Saddam, fica a convicção de que os homens são egoístas, interesseiros e covardes. E para aqueles que defendem a pena de morte, como se sentiriam diante de um carrasco que quer lhe tomar sua vida, seu bem mais precioso?
José Roberto Figaldo Donadelli
é leitor do Comércio da Franca
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