A penúltima casa da Rua São João Del Rei impressiona pela simplicidade e pelas condições precárias na qual se encontra. O imóvel não tem forro, faltam portas, algumas janelas estão danificadas, a água foi cortada há meses, os cômodos estão sujos. O local abriga a família da dona de casa Renata Morato, 32. Esse cenário desolador não é o maior problema da família. A mãe está desesperada por não ter como alimentar os sete filhos com idades entre 1 e 13 anos e resolveu pedir socorro. Ontem pela manhã, ela parou a reportagem do jornal, que fazia outras matérias no bairro, em busca de ajuda. "Procurei vocês para pedir socorro para dar comida para as crianças", disse.
Os pais e as crianças, que apesar de toda a dificuldade permanecem unidos, fazem duas refeições por dia quando ganham arroz e feijão. Às vezes, complementam os pratos com abóboras que colhem num terreno baldio na frente da residência. A última vez que comeram carne foi no Natal. Renata ganhou peru de um empresário. A carne precisou ser assada na casa da vizinha, pois ela não pode usar o forno do seu fogão. "Está cheio de ratos. Só uso a parte de cima".
A escassez de comida não é o único problema enfrentado na pequena residência na região leste da cidade. A geladeira estragou. "Com vários cortes na força, ela acabou queimando." A água está cortada há três meses. Renata até perdeu a noção de quantas contas deixaram de pagar. "A gente deve R$ 1.700 dos pagamentos atrasados e da multa porque cortavam e a gente religava a água."
Desde que o fornecimento foi suspenso, ela, o marido e os filhos andam dois quarteirões por no mínimo três vezes ao dia para encher cerca de 30 garrafas pets e cinco galões de 20 litros de água na casa de uma vizinha. Eles fazem o transporte nos ombros, mãos ou numa carriola emprestada. Um empresário paga parte da conta da moradora para ela “emprestar” água para Renata cozinhar, lavar louças e tomar banho. Na hora de lavar, ela usa a casa da amiga também. "São nove pessoas. Gastamos muita água.
Tenho de lavar a roupa da família toda e para complicar ainda mais, meus filhos gêmeos fazem xixi na cama e todo dia tenho troca de roupa deles, lençol e cobertor para limpar", disse a dona de casa. As crianças dormem juntas num colchão no chão, pois a cama é usada como armário para as roupas.
INSUFICIENTE
O único dinheiro que a família recebe são os R$ 84 mensais do Programa Renda Mínima. O benefício é usado para comprar comida. Renata trabalhava como coladeira de peças, mas parou de trabalhar há oito anos para cuidar dos sete filhos. Ela diz que o marido (sapateiro) tem dificuldades para conseguir emprego por ser ex-presidiário (ficou detido por um ano e três meses por furto).
Hoje, a família não paga para morar. O aluguel do imóvel (R$ 150) era negociado diretamente com o dono. Na casa há três anos, eles pagaram apenas três meses pela locação, pois o proprietário não voltou mais para receber o dinheiro. "Ninguém sabe dele."
A mãe pede ajuda para conseguir leite (a família consome 4 litros por dia), alimentos, um armário para as roupas, comida e panelas e deseja outro lugar para morar. "A casa está toda estragada, sem portas e cheia de bichos por causa do mato em volta. Queria viver num local mais seguro e limpo com meus filhos, mas não sei como vou conseguir isso."
Para quem quiser ajudar, Renata Morato mora com o marido e as sete crianças na Rua São João Del Rei, 3021, Jardim Brasilândia II.
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